Operador do Sistema Elétrico Nacional do Brasil conclui planejamento de interconexão de 420 MW com a Bolívia
2026-06-16 11:02
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De acordo com pt.wedoany.com-Um estudo de planejamento concluído pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) do Brasil mostra que a interconexão elétrica entre Brasil e Bolívia, com capacidade planejada de 420 MW e utilizando tecnologia de transmissão em corrente contínua flexível (VSC), pode ajudar a reduzir cortes de energia durante os picos de geração solar.

Linha de transmissão da Alupar

O projeto de interconexão foi incluído no leilão de transmissão realizado em outubro deste ano, como parte do 4º lote de investimentos. Este lote reúne o maior volume de investimentos, cerca de 6,7 bilhões de reais, abrangendo um corredor de linhas de 500 kV no estado do Mato Grosso do Sul, que conecta as subestações de Sarandi, Rio Brilhante, Chapadão e Rio Verde Norte. O lote também inclui a obra de interconexão Brasil-Bolívia, com a instalação de uma estação conversora back-to-back utilizando tecnologia VSC, além de uma linha de 50 Hz que se estende até a fronteira.

Para embasar a análise, o ONS avaliou o impacto da interconexão em diferentes cenários de geração e carga, considerando quatro configurações da rede de transmissão do Mato Grosso do Sul: a rede existente, as etapas 1 e 2 com implementação isolada de obras estruturais, e o estado completo do novo sistema de 500 kV. O estudo aponta que, independentemente da conexão internacional, a linha de transmissão de 230 kV Dourados–Guaíra já apresenta risco de sobrecarga durante o período diurno de baixa carga e alta geração fotovoltaica.

De acordo com a avaliação do operador, a exportação de energia do Brasil para a Bolívia não impõe restrições ao sistema elétrico brasileiro e contribui para reduzir os cortes de geração atualmente necessários para controlar a carga na linha Dourados–Guaíra. Já no cenário de importação de energia da Bolívia, o problema de sobrecarga na mesma linha de transmissão se agrava quando se considera apenas a configuração atual ou parcialmente reforçada da rede.

Com base nos resultados dessas análises de regime permanente, o ONS concluiu que o projeto de interconexão pode operar sem restrições quando o fluxo de potência for do Brasil para a Bolívia. No entanto, a futura utilização plena da capacidade de 420 MW da estação conversora back-to-back dependerá da conclusão das obras estruturais de 500 kV no Mato Grosso do Sul previstas no leilão. O ONS também esclareceu que, como o modelo da tecnologia VSC utilizada na estação conversora da interconexão ainda não está disponível, não foram realizadas análises de estabilidade eletromecânica neste estudo.

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