De acordo com pt.wedoany.com-A recuperação dos ecossistemas aquáticos da Bacia do Rio Doce receberá um investimento de R$ 232,7 milhões, provenientes do Projeto de Restauração Ecológica de Ecossistemas Aquáticos Prioritários, no âmbito do Acordo de Reparação do Rio Doce. O projeto, coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), terá duração inicial de cinco anos, podendo ser prorrogado por até vinte anos.

A iniciativa visa restaurar os leitos e habitats aquáticos do Rio Doce, seus afluentes e riachos, fortalecendo a biodiversidade e promovendo a recuperação gradual das populações de peixes nativos na bacia.
Por meio de mapeamento detalhado, o projeto implementará ações de restauração de habitats aquáticos na sub-bacia do Rio Santo Antônio, com foco na melhoria das condições ecológicas fluviais. A diretora da Diretoria de Fauna Aquática (DFAU), Ariane Goulart, afirmou que as medidas planejadas incluem a construção de estruturas de bioengenharia, remoção de pequenas barragens, dragagem de trechos críticos e recuperação de áreas importantes para alimentação, abrigo e reprodução de espécies nativas. Durante os primeiros cinco anos de execução, as intervenções se concentrarão na sub-bacia do Rio Santo Antônio, considerada estrategicamente relevante para a conservação da fauna aquática.
Outro aspecto importante do projeto é o controle de espécies de peixes exóticas e invasoras em toda a Bacia do Rio Doce. Para isso, serão utilizadas técnicas de pesca tradicional e pesca elétrica, com prioridade para a contratação de pescadores locais. A medida visa promover a restauração ambiental e gerar oportunidades de emprego e renda para as comunidades locais. O projeto também prevê a criação de uma ampla rede de monitoramento ambiental para acompanhar regularmente a qualidade dos habitats aquáticos, a biodiversidade e as populações de peixes existentes na bacia. Os dados obtidos serão utilizados para avaliar a eficácia das ações e orientar ajustes nas estratégias de restauração.
Para remediar ou conter a fuga de peixes de instalações aquícolas e ajustar as medidas de biossegurança, o projeto atuará em conjunto com os produtores locais, incluindo intervenções nas instalações de aquicultura, auxílio na elaboração de procedimentos operacionais padrão para reduzir perdas por fugas e apoio à triagem de indivíduos. Além das intervenções ambientais, o projeto realizará educação ambiental voltada para pescadores, proprietários de lojas de peixes ornamentais, comunidades ribeirinhas e moradores, a fim de ampliar a participação pública na conservação dos rios e incentivar práticas sustentáveis de uso dos recursos hídricos.
Segundo o IEF, o projeto melhorará diretamente as condições ambientais dos corpos d'água da bacia, promovendo a recuperação dos ecossistemas aquáticos e criando condições para a recuperação gradual e sustentável da atividade pesqueira. A pesca é uma importante fonte de renda para muitas comunidades afetadas pelo rompimento da Barragem de Fundão em 2015. O gerente de Conservação e Recuperação da Fauna Aquática e Pesca, Leandro Guimarães, resumiu que a reconstrução de habitats aquáticos degradados pode criar zonas de conservação da biodiversidade com alta diversidade aquática e elevada qualidade ambiental. A iniciativa encontra-se atualmente na fase final de análise técnica e ajustes, com previsão de lançamento do edital de execução em julho de 2026, e as primeiras ações terão início em 2027. O rompimento da Barragem de Fundão causou 19 mortes e gerou uma destruição ambiental em larga escala. O acordo foi assinado em outubro de 2024 pelos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e federal, Ministério Público, Defensoria Pública e as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.
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