Qualcomm lançará produtos de data center Dragonfly na China no próximo ano
2026-06-29 11:08
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De acordo com pt.wedoany.com-O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, disse ao Nikkei Asia que planeja lançar todas as quatro linhas de produtos de data center sob a marca Dragonfly no mercado chinês, incluindo aceleradores dedicados de inteligência artificial, projetados para não ultrapassar os limites de exportação estabelecidos pelos EUA. A notícia foi divulgada durante o evento do Dia do Investidor da Qualcomm em Nova York. Em 2025, o mercado chinês representou 46% da receita da Qualcomm, quase inteiramente proveniente do fornecimento de chips para smartphones. A estratégia de entrar no mercado de data centers da China pode repetir o cenário que levou as vendas de aceleradores da Nvidia na China a cair drasticamente para quase zero.

A série Dragonfly abrange aceleradores de IA, processadores de data center (CPUs), chips personalizados e chips de comunicação. Amon afirmou que todas as versões das linhas de produtos serão fornecidas à China em estrita conformidade com as regulamentações de exportação. Ele disse ao Nikkei Asia que a empresa possui versões de todos os produtos que atendem a essas diretrizes, acrescentando que a Qualcomm está em negociações com clientes chineses. O primeiro acelerador, AI250, será lançado no próximo ano. Ele utiliza uma arquitetura de cache de alta largura de banda (HBC), mantendo a memória próxima ao processador, em vez da pilha de memória de alta largura de banda (HBM) usada pelas soluções concorrentes da Nvidia e AMD. Em um mercado onde a oferta de HBM permanece limitada no futuro previsível, essa escolha de tecnologia de empacotamento pode se tornar uma vantagem.

A Qualcomm revelou aos investidores que sua divisão de data centers deve gerar um lucro de US$ 300 milhões neste ano fiscal, atingindo US$ 5 bilhões até o ano fiscal de 2027. A Qualcomm descreveu esses indicadores como o estágio inicial de crescimento em um mercado potencial total que deve ultrapassar US$ 1 trilhão até 2029. O sucesso na China depende do argumento de Amon: os relacionamentos existentes da Qualcomm com fabricantes de smartphones e automóveis na China podem ser expandidos para o setor de data centers. A mesma base de clientes também sustentou o lançamento dos aceleradores AI200 e AI250 em outubro do ano passado.

Atualmente, a China não é um comprador neutro para a Qualcomm. Em outubro do ano passado, os reguladores chineses iniciaram uma investigação antitruste sobre a aquisição da Autotalks pela Qualcomm. Além disso, as autoridades chinesas pediram que operadores locais de data centers adquiram pelo menos 50% de seus chips de fabricantes nacionais, orientando empresas como Alibaba, ByteDance e Tencent a adotar componentes da Huawei e da Cambricon. Essas tendências de mercado já enfraqueceram o modelo de soluções orientadas para exportação que a Qualcomm tenta replicar. Por exemplo, o chip H20 da Nvidia, desenvolvido especificamente para o mercado chinês, gerou apenas cerca de US$ 50 milhões em receita para a empresa até o final do ano passado. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que a participação da Nvidia no mercado chinês caiu para "zero". A Qualcomm está entrando voluntariamente nesse segmento, e seu hardware só começará a ser entregue aos clientes no ano fiscal de 2027. Até lá, espera-se que a produção da série Ascend da Huawei e dos aceleradores da Cambricon esteja muito acima dos níveis atuais.

Fora da China, a Qualcomm tem pelo menos um comprador confirmado: a empresa saudita Humain já recebeu sistemas AI100 e se comprometeu a implantar 200 megawatts de racks da Qualcomm. Na China, apesar dos esforços de Pequim para reduzir a dependência de chips estrangeiros, a Qualcomm ainda precisa convencer os clientes da viabilidade do uso de chips estrangeiros.

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