De acordo com pt.wedoany.com-De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA), o Brasil está promovendo ativamente a exportação de carne bovina para o mercado japonês, uma agenda que se tornou uma das prioridades do agronegócio do país. O governo brasileiro, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e o setor exportador estão empenhados em abrir o mercado japonês para a carne bovina brasileira. Cerca de 70% do consumo de carne bovina no Japão depende de importações, com um valor anual de aproximadamente US$ 4 bilhões, dos quais cerca de 80% vêm dos Estados Unidos e da Austrália. O mais recente protocolo sanitário entre Brasil e Japão está em discussão há cerca de cinco anos. Em março deste ano, o governo japonês realizou uma auditoria sanitária in loco no sistema de defesa agropecuária brasileiro, como parte da avaliação de risco. As negociações avançaram após o Brasil ser reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O diretor do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, destacou que o Japão é visto como um destino de alto padrão, com exigências sanitárias rigorosas e alto valor agregado. A entrada nesse mercado significa obter certificação de qualidade e sanitária em um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo. Para Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do país, isso criará possibilidades concretas de diversificação comercial e agregação de valor aos produtos.

No que diz respeito à exportação de proteína animal, a carne de frango continua sendo a principal categoria exportada pelo Brasil para o Japão. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, a carne de frango fresca, refrigerada ou congelada representou 18,8% do total das exportações brasileiras para o Japão, com receita superior a US$ 1,03 bilhão. De janeiro a maio de 2026, essa participação subiu para 20,5%, com vendas de aproximadamente US$ 492 milhões no período. A carne suína também está ampliando sua participação no mercado japonês. Em 2025, os produtos suínos representaram 4,7% das exportações brasileiras para o Japão, com um volume total de negócios de cerca de US$ 258,5 milhões; nos primeiros cinco meses de 2026, a participação aumentou para 7,5%, com vendas de aproximadamente US$ 180 milhões.
O café também ocupa uma posição de destaque no comércio bilateral. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, em 2025, o Japão importou 2,647 milhões de sacas (60 kg cada) de café brasileiro, um aumento de 19,4% em relação a 2024, tornando o Japão o quarto maior comprador de café do Brasil. Este ano, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) exportou para o Japão o primeiro lote de café especial verde descafeinado natural, embarcando 8,4 toneladas (140 sacas) pelo Porto de Santos. Essa operação faz parte de uma estratégia de reposicionamento comercial desenvolvida nos últimos três anos, e apenas o volume deste lote superou as exportações anuais de café verde descafeinado do Brasil desde 2020.
Em termos de comércio bilateral, o volume total de comércio entre Brasil e Japão em 2025 atingiu US$ 11,5 bilhões, com o Brasil exportando US$ 5,5 bilhões e importando US$ 6,1 bilhões, resultando em um déficit de US$ 562,6 milhões. O Brasil exportou 12,63 milhões de toneladas de minério de ferro para o Japão, com receita de US$ 960 milhões; ao mesmo tempo, importou 95.780 toneladas de peças automotivas japonesas, totalizando US$ 1,15 bilhão. Os dados mais recentes de janeiro a maio de 2026 mostram que as exportações brasileiras para o Japão totalizaram US$ 2,4 bilhões, um aumento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações também foram de US$ 2,4 bilhões, mas com queda de 8,6%. O volume de comércio atingiu US$ 4,8 bilhões, e o Brasil registrou um superávit de US$ 7,2 milhões. Além disso, de acordo com os dados consolidados de 2025 da Secex e compilações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o estado de Mato Grosso exportou 311.940 toneladas de farelo de soja e 223.400 toneladas de soja para o Japão, com receitas de US$ 105,35 milhões e US$ 88,61 milhões, respectivamente. Juntos, os dois produtos totalizaram 535.340 toneladas exportadas, com receita total de US$ 193,96 milhões.









