Biotrop, do Brasil, fatura US$ 1,3 milhão no primeiro ano nos EUA e planeja chegar a US$ 160 milhões em uma década
2026-06-29 14:51
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De acordo com pt.wedoany.com-A Biotrop, principal fabricante brasileira de insumos biológicos, concluiu seu primeiro ano de operação comercial nos Estados Unidos, abrangendo 23 estados, com recompra de clientes e receita acumulada de US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,7 milhões). Embora esse valor seja pequeno em comparação com a receita total da empresa no ano passado, de R$ 900 milhões, o resultado inicial é significativo, considerando a queda na renda dos agricultores americanos devido à desvalorização de commodities como soja, trigo e milho. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicam que a renda líquida dos agricultores americanos em 2026 está projetada em US$ 153,4 bilhões, uma redução de US$ 4,1 bilhões em relação a 2025, ajustada pela inflação; os pagamentos diretos do governo dos EUA aos agricultores em 2026 devem totalizar US$ 44,3 bilhões, próximo do recorde de US$ 45,7 bilhões no pico da pandemia em 2020.

Biotrop realiza o 'sonho americano' e planeja receita de US$ 160 milhões nos EUA em dez anos

Matheus Gueratto, responsável pelas operações da Biotrop nos EUA, afirmou que o objetivo principal da empresa no início das operações no país não era a receita, mas sim criar uma experiência de uso. Atualmente, centenas de produtores, distribuidores e cooperativas estão testando suas soluções. O portfólio de produtos oferecido pela Biotrop aos agricultores americanos inclui biofungicidas, bionematicidas e condicionadores de solo, abrangendo culturas de grande escala como soja, milho, trigo, algodão e amendoim, com 13 produtos já registrados nos EUA. Gueratto acredita que o histórico operacional da empresa no Brasil ajuda a superar a resistência dos agricultores americanos, decorrente de experiências inconsistentes com produtos biológicos no passado.

A Biotrop conta com 13 profissionais nos EUA, dos quais 6 atuam em campo, distribuídos nas regiões produtoras de amendoim (sul da Geórgia, norte da Flórida e leste do Alabama, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional de amendoim), no Cinturão do Milho (Corn Belt) e na Bacia do Rio Mississippi (onde se cultivam soja, milho, algodão, amendoim e arroz). Os agricultores que utilizaram produtos da Biotrop na safra de 2025 aumentaram as recompras na safra seguinte.

Em termos de planejamento de longo prazo, a Biotrop planeja atingir uma receita de US$ 160 milhões nos EUA até 2034, o que exige uma taxa de crescimento anual elevada de cerca de 70%. Gueratto afirma que essa meta se baseia em um plano de negócios sólido e no próprio crescimento do mercado americano. A preparação da empresa nos EUA começou antes da chegada da equipe comercial: no final de 2024, já havia estabelecido um centro de pesquisa e desenvolvimento no UF Innovate, centro de inovação da Universidade da Flórida, localizado em Gainesville, que se tornou a sede da empresa nos EUA. Atualmente, as parcerias incluem também a Universidade da Geórgia, a Universidade Estadual de Iowa, a Universidade Estadual de Dakota do Norte e a Universidade Estadual da Louisiana. A Biotrop planeja investir entre US$ 12 milhões e US$ 15 milhões em P&D nos EUA, com recursos alocados conforme a demanda do mercado, sem prazo definido. Atualmente, a maioria dos produtos vendidos nos EUA é importada do Brasil, mas Gueratto afirma que a empresa considerará a construção de uma fábrica local no futuro, quando as condições forem favoráveis.

Além do mercado americano, a Biotrop já entrou no mercado canadense, registrando três produtos e realizando testes de campo, com previsão de início das vendas na safra de 2027. No final de 2025, o grupo controlador belga da empresa, Biofirst, incorporou outra subsidiária americana, a Bioworks, à Biotrop. A Bioworks é especializada em soluções biológicas para culturas hortícolas, e essa aquisição trouxe uma receita de cerca de € 20 milhões (pouco mais de R$ 120 milhões), 40 profissionais nos EUA e 16 na Europa, além de mais unidades de produção. Gueratto afirma que a Bioworks e a Biotrop operam em paralelo nos EUA, com o objetivo de se acelerarem mutuamente em termos de portfólio de produtos, tecnologia e sinergias.

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