De acordo com pt.wedoany.com-A Reliance Jio planeja implantar, nos próximos dois a três anos, uma constelação de satélites de órbita terrestre baixa (LEO) composta por cerca de 1.600 a 1.650 satélites, a uma altitude orbital de aproximadamente 650 km, com o objetivo de fornecer serviços de banda larga e conectividade direta ao dispositivo (D2D).

O jornal Economic Times revelou em 18 de junho de 2026 que a Jio submeteu uma proposta de constelação ao Centro Nacional Indiano de Promoção e Autorização Espacial (IN‑SPACe), que está avaliando sua configuração e arquitetura técnica. Se aprovado, este será o primeiro caso de uma empresa indiana a entrar no setor de satélites LEO.
Atualmente, o mercado de LEO é dominado pela Starlink, que já possui quase 10.000 satélites em órbita. Vários países, devido a preocupações com a segurança nacional, buscam reduzir a dependência de operadores estrangeiros de satélites. A reportagem cita um funcionário afirmando que o governo deseja apoiar a Jio na solicitação de posições orbitais junto à União Internacional de Telecomunicações (UIT), pois entidades indianas estão entrando neste setor estratégico, e também apoiará outras entidades indianas interessadas em ingressar na área.
Na 49ª Assembleia Geral Anual da Reliance Industries Limited, realizada em 19 de junho de 2026, Akash Ambani, Diretor-Geral da Jio Platforms Limited, afirmou que a Jio está avaliando o desenvolvimento de uma constelação soberana de satélites de órbita terrestre baixa para a Índia. Ele destacou que a conectividade por satélite será uma ponte importante para vilarejos remotos, comunidades insulares e postos de fronteira não cobertos pela rede da Jio. Simultaneamente, a Jio está colaborando com fornecedores líderes globais de constelações, alugando capacidade de satélites para acelerar a disponibilidade do serviço, enquanto constrói capacidade soberana de longo prazo. Essa abordagem dupla visa atender mais rapidamente às necessidades de conectividade da Índia e estabelecer as bases para uma plataforma indiana de banda larga por satélite em escala global.
Para atingir esses objetivos, a Jio está construindo sua própria infraestrutura de estações terrestres na Índia, que apoiarão constelações parceiras e futuros satélites próprios, criando um ecossistema de banda larga por satélite de ponta a ponta, do espaço ao solo. Akash Ambani afirmou que essa iniciativa fortalecerá a autossuficiência da Índia no setor espacial.
Especialistas não identificados citados na reportagem estimam que a construção de uma constelação desse porte exigirá investimentos de 10 a 15 bilhões de dólares (cerca de 95.000 a 141.500 bilhões de rúpias), podendo gerar capacidade de vários Tbps, dependendo da tecnologia de satélite adotada. O negócio de comunicações por satélite será integrado à Jio Platforms, juntamente com outros negócios digitais da empresa.
No cenário global de LEO, a concorrência está se intensificando. O Projeto Kuiper, da Amazon, está implantando uma constelação de cerca de 3.200 satélites, com mais de 300 já em órbita. A Eutelsat OneWeb (da qual o Grupo Bharti é o segundo maior acionista) opera aproximadamente 654 satélites. A Reliance Jio também formou uma joint venture com a SES, sediada em Luxemburgo, mas os negócios da SES concentram-se principalmente em órbitas geoestacionárias e de órbita terrestre média, não envolvendo o setor LEO.
O plano da Jio destaca sua intenção de construir infraestrutura de satélites indígena em meio a um escrutínio mais rigoroso sobre provedores estrangeiros de comunicações por satélite, incluindo a Starlink.










