De acordo com pt.wedoany.com-A Comissão Federal de Comunicações (Federal Communications Commission, FCC) dos EUA planeja votar em 22 de julho uma ordem que reforma abrangentemente o processo de solicitação de satélites, visando criar uma "linha de montagem de licenças" para lidar com projetos de constelações cada vez maiores e mais complexos.

A proposta, intitulada "Ordem de Modernização Espacial" (Space Modernization Order), substituirá a Parte 25, há muito utilizada pela FCC, por uma nova Parte 100, abrangendo processos como rodadas de processamento, prazos de licença e requisitos de títulos de garantia. A ordem reduzirá obstáculos administrativos, ampliando os tipos de modificações secundárias de licenças que os operadores podem realizar sem autorização prévia da FCC, e encurtará o período de notificação pública de 30 para 15 dias, salvo disposição legal em contrário. O rascunho da ordem indica que, dentro de 30 dias após a apresentação da solicitação, a FCC publicará um aviso público ou informará o solicitante sobre quais materiais adicionais são necessários para considerar a solicitação completa. O objetivo da reforma é comprimir o processo de aprovação, que atualmente pode levar anos, para meses ou até semanas, a fim de atender às necessidades de reposição e atualização de constelações.
Para reduzir os riscos de colisão decorrentes do crescente congestionamento de satélites em órbita terrestre baixa (low Earth orbit, LEO), a ordem exige que os operadores compartilhem dados de rastreamento de satélites com provedores de consciência situacional espacial aprovados. A FCC também solicitará comentários públicos sobre o estabelecimento de um regime de licenças para experimentos baseados no espaço e outras propostas de reforma. Em outubro passado, a FCC emitiu um Aviso de Proposta de Regulamentação (Notice of Proposed Rulemaking) que incluía um caminho de processamento rápido de sete dias, mas esse caminho não foi incorporado à ordem a ser votada.
O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a LEO está se tornando cada vez mais estratégica para sistemas de satélites comerciais e governamentais, e que esta ordem impulsionará a economia espacial dos EUA. Em sua declaração, ele disse que a estrutura regulatória correta determinará se os EUA podem vencer a "Corrida Espacial 2.0", e que a Ordem de Modernização Espacial transformará a análise de um processo personalizado em um fluxo consistente, previsível e objetivo. Carr enfatizou que a reforma manterá fortes proteções à segurança da aviação e contará com estreita cooperação com a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA.
No entanto, se a ordem for aprovada, as solicitações de constelações massivas de data centers orbitais já apresentadas este ano, como o plano da SpaceX de lançar até 1 milhão de satélites para apoiar a demanda de inteligência artificial, não se aplicarão aos prazos e procedimentos revisados. Paralelamente, o Congresso dos EUA está analisando a Lei de Simplificação de Satélites e Telecomunicações (Satellite and Telecommunications Streamlining Act), que estabelecerá prazos e outras medidas de reforma para o processo de licenciamento de satélites da FCC.
A FCC também planeja votar em 22 de julho regras relacionadas para leiloar 160 megahertz (MHz) de espectro da banda C superior na faixa de 3,98-4,14 GHz no próximo ano. Esse espectro está próximo das frequências usadas por altímetros de rádio de aeronaves e atualmente é utilizado principalmente pela SES, operadora multiórbita sediada em Luxemburgo, para fornecer serviços de televisão nos EUA. Carr afirmou que este será o primeiro leilão de novo espectro comercial da FCC em cinco anos, e que a ação expandirá o acesso ao espectro de banda média para serviços sem fio de próxima geração, aumentará a velocidade da internet para os consumidores e arrecadará dezenas de bilhões de dólares para o Tesouro dos EUA. A FCC já colaborou com a FAA e outras partes para garantir a segurança da aviação. Em 2020, a FCC leiloou 280 MHz de espectro da banda C inferior para a Verizon, AT&T, T-Mobile e outras operadoras 5G terrestres, arrecadando mais de US$ 80 bilhões, dos quais cerca de US$ 13,4 bilhões foram destinados aos detentores atuais do espectro, principalmente SES e Intelsat, para incentivar a rápida migração de seus serviços para os 200 MHz restantes da banda C e cobrir os custos de migração, incluindo novos satélites. Posteriormente, a SES adquiriu a Intelsat.
O analista da Raymond James, Ric Prentiss, destacou que o tamanho do espectro da banda C superior a ser leiloado é mais de 35 vezes maior que o espectro AWS-3, recentemente re-leiloado em termos de MHz-POP (métrica de valor estimado multiplicando largura de banda pela população coberta). A FCC anunciou em 26 de junho que o leilão AWS-3 arrecadou cerca de US$ 3,57 bilhões no total, com a Verizon obtendo 82 licenças por US$ 3,2 bilhões. O leilão resolveu obrigações relacionadas à falha da EchoStar na licitação AWS-3 de 2015. Após gastar dezenas de bilhões de dólares na aquisição do espectro da EchoStar para aprimorar sua capacidade de conexão direta a celulares, a SpaceX conquistou apenas duas licenças AWS-3 por cerca de US$ 9 milhões. O analista da New Street Research, David Barden, afirmou que alguns investidores acreditam que a SpaceX não pretendia ganhar nenhuma licença, mas sim aprender as regras de leilão da FCC por meio desse processo. Outros acreditam que a SpaceX estava apenas testando serviços móveis ou usando o leilão como um teste para o leilão da banda C superior. Barden acrescentou que, embora a SpaceX declare intenções de operar serviços móveis terrestres nos EUA, entrar por último em um mercado saturado com o mínimo de espectro não é uma boa oportunidade de negócio.










