De acordo com pt.wedoany.com-No primeiro trimestre de 2026, a produção de cromo do Zimbábue caiu 61% em comparação anual, para 178.425 toneladas métricas, principalmente devido ao esgotamento dos recursos de cromo aluvial de fácil extração, forçando os produtores a recorrerem à mineração de rocha dura, de custo mais elevado. Os dados, divulgados pelo Ministério de Minas e Desenvolvimento Mineral do Zimbábue, indicam que o setor de cromo do país enfrenta desafios estruturais.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério de Minas e Desenvolvimento Mineral, entre janeiro e março, o cromo foi um dos minerais com maior queda de produção entre os principais minérios do país. No período do relatório, a produção de cromo caiu de 465.638 toneladas métricas no período comparável anterior para 178.425 toneladas métricas, uma redução de 61%. Sheldon Lucas, presidente da Associação de Mineradores de Cromo do Zimbábue, destacou que a contração da produção reflete o esgotamento do cromo aluvial, que anteriormente contribuía com a maior parte da produção de cromo do país. Ele afirmou que o cromo aluvial, que antes representava a maior parte da produção, já se esgotou e levará muito tempo para ser reabastecido por meio de deposição.
O cromo aluvial foi por muito tempo o pilar da indústria de cromo do Zimbábue, especialmente para mineradores artesanais e de pequena escala. Diferente do cromo maciço extraído de depósitos de rocha dura, o cromo aluvial está presente em depósitos superficiais soltos, podendo ser extraído por métodos relativamente simples e de baixo custo, permitindo que muitos mineradores de pequena escala entrassem no setor com capital e equipamentos limitados. No entanto, com o esgotamento gradual dos depósitos próximos à superfície, os mineradores estão cada vez mais recorrendo à extração de cromo maciço de depósitos de rocha dura. Essa transição exige perfuração, detonação, britagem e um maior grau de mecanização, aumentando significativamente os custos de produção, tornando-a insustentável para muitos mineradores de pequena escala.
Lucas afirmou que, nas condições atuais de mercado, a economia da mineração de rocha dura está se tornando cada vez mais insustentável. O custo de extração do cromo maciço não corresponde ao preço, e devido à proibição de exportação de minério, os mineradores estão vulneráveis a preços predatórios de empresas chinesas que possuem fundições. O Zimbábue proíbe a exportação de minério de cromo bruto para promover o beneficiamento local e incentivar investimentos em fundições domésticas. Embora essa política apoie o processamento de valor agregado, os mineradores acreditam que o número limitado de fundições reduz a concorrência pelo minério, resultando em menos compradores e menor poder de negociação para os produtores, enquanto os custos de extração do cromo maciço continuam a aumentar.
Lucas sugeriu que aumentar as opções de processamento para os mineradores poderia ajudar a restaurar o equilíbrio do mercado, e que deveria ser estabelecida uma fundição estatal para processar o cromo por conta de terceiros. Em um acordo de processamento por conta de terceiros, os mineradores pagam uma taxa de processamento, mantendo a propriedade de seu cromo, podendo assim vender o produto processado, em vez de vender o minério bruto a preços determinados pelos operadores das fundições. O Ministério de Minas afirmou que investimentos direcionados em infraestrutura de mineração, fornecimento de energia e eficiência operacional para lidar com a contração da produção são cruciais para manter o crescimento do setor mineral a médio prazo. Os dados de produção mais recentes indicam que a indústria de cromo do Zimbábue está entrando em uma nova fase, onde a manutenção da produção dependerá cada vez mais da capacidade dos mineradores de fazer a transição de depósitos aluviais de fácil extração para operações intensivas em capital de rocha dura, ao mesmo tempo em que obtêm preços que justifiquem os custos mais elevados de extração.






