Protótipo da Eve no Brasil retoma voos e avança para fase de transição
De acordo com pt.wedoany.com-A fabricante brasileira de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) Eve retomou os voos de seu protótipo de engenharia após três meses de manutenção em solo, período dedicado principalmente à preparação para os voos de transição críticos previstos para o final deste ano.

O CEO da Eve, Johann Bordais, afirmou que o retorno aos voos em 18 de julho marcou o 60º voo do protótipo, com mais missões programadas para os próximos dias. Conforme o planejado, até o final do Farnborough Airshow, a Eve realizará pela primeira vez o voo desta aeronave não tripulada com as hélices propulsoras acionadas. As hélices propulsoras entram em ação a aproximadamente 25 nós (46 km/h). Bordais disse: "Até o final desta semana, ligaremos as hélices propulsoras e, em seguida, expandiremos gradualmente a envoltória de voo." Nesta fase de testes, o protótipo acelerará até 50 nós, avançando em direção ao limiar de 90 nós para o voo de transição, quando os motores elétricos de sustentação serão desligados. Ele acrescentou: "Estamos progredindo de forma constante e cumprindo nossas promessas."
Durante o período de paralisação, a Eve atualizou o software de controle de voo da aeronave e reforçou a fuselagem para suportar as vibrações adicionais que as hélices propulsoras podem gerar. No entanto, o protótipo ainda não foi equipado com o mecanismo de dobra das pás das hélices de sustentação que será utilizado na aeronave de produção Eve 100. Bordais afirmou que a empresa "ainda está analisando" o projeto final desse sistema.
Ainda este ano, a Eve começará a construir o primeiro de seis protótipos de conformidade, com o objetivo de obter a certificação até o final de 2028. Esses protótipos serão entregues a cada 45 dias, aproximadamente. Bordais disse estar "muito satisfeito" com o progresso do projeto desde que assumiu o cargo de CEO há três anos.
A Eve construirá os primeiros protótipos de conformidade na principal fábrica de montagem da Embraer, em São José dos Campos. A produção em série está planejada para uma nova fábrica próxima, em Taubaté, atualmente um armazém de propriedade da Embraer, com previsão de início de operação em 2028. A diretora comercial, Megha Batia, afirmou que, na fase inicial de aumento de capacidade, a fábrica poderá produzir até 120 unidades do Eve 100 por ano. Por meio de uma "abordagem modular", a capacidade será ampliada em incrementos de 120 unidades, até atingir a capacidade máxima de 480 aeronaves por ano. Bordais disse: "Nesse ponto, teremos que considerar a construção de uma segunda fábrica."
Até o momento, a Eve acumula pedidos de compromisso para aproximadamente 2.700 eVTOLs. Antes do Farnborough Airshow, a empresa assinou cartas de intenção com a operadora Moov e a empresa de leasing Shearwater Global Capital para até 30 e 16 aeronaves, respectivamente. Batia reconheceu que, do total de 2.700 pedidos, apenas 12 são pedidos firmes com depósito: 10 da cliente de lançamento brasileira Revo e 2 da japonesa AirX, ambas parte de pedidos maiores de 50 unidades. Ela afirmou que o interesse em converter pedidos condicionais em pedidos firmes está crescendo à medida que o projeto amadurece, e disse: "Estamos começando a criar um impulso real, então é hora de começar a converter esses pedidos."
A Eve espera obter a certificação do Eve 100 pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil em 2028, juntamente com a validação pela Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos. Bordais afirmou que, aproximadamente 12 a 18 meses depois, poderá obter a aprovação da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), cujo pedido foi apresentado na semana passada. A ANAC já divulgou a proposta de padrão de certificação de ruído para o Eve 100, baseada principalmente na regulamentação de ruído existente da FAA, Parte 36, especialmente a seção relacionada a aeronaves de asas rotativas inclináveis, com consulta pública aberta até 8 de agosto.
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