Funcionários franceses confirmaram um relatório já publicado, afirmando que o novo governo alemão enviou sinal para a França de que não mais se oporá a tratar a energia nuclear e as energias renováveis da mesma forma na legislação da União Europeia.
As duas maiores economias da União Europeia têm se debatido há muito tempo sobre se deve promover a energia nuclear para alcançar os objetivos de emissão de dióxido de carbono, o que atrasou a formulação de políticas da União Europeia para lidar com as mudanças climáticas.

Cerca de 70% da energia da França vem da energia nuclear, sendo a França o principal defensor da energia nuclear na Europa. A Alemanha já está gradualmente eliminando suas usinas nucleares, pois considera que a energia nuclear é de baixo carbono, mas não é renovável.
No entanto, o novo chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a saída da energia nuclear foi um erro e prometeu retomar as relações com a França. Berlim também está ficando cada vez mais isolado, pois muitos países europeus planejam restaurar a energia nuclear para substituir o fornecimento de gás natural da Rússia.
Ellie Chambers, analista de energia da ICIS, disse à Reuters que a nova postura da Alemanha torna a Áustria o único país importante da Europa que se opõe à energia nuclear e vai exercer pressão sobre a Comissão Europeia para que forneça mais fundos para a energia nuclear.
Ela alertou que os projetos de energia nuclear ainda enfrentam muitas barreiras, incluindo questões de financiamento e desenvolvimento, e que levará muito tempo até que a nova produção de energia nuclear esteja disponível para uso.
Um funcionário francês confirmou uma reportagem publicada no Financial Times no início da segunda-feira, afirmando que a Alemanha já disse que abandonará a sua posição de oposição à energia nuclear há muito tempo, o que é o primeiro sinal concreto da melhoria das relações entre a Alemanha e a França.
O funcionário destacou que Merz e o presidente francês, Emmanuel Macron, publicaram um editorial conjunto no Figaro no início deste mês, e os dois líderes afirmaram no texto que os dois países "vão readaptar as políticas energéticas com base na neutralidade climática, na competitividade e na soberania".
Eles disseram: "Isso envolve aplicar o princípio de neutralidade tecnológica e garantir que todas as energias de baixo carbono dentro da União Europeia sejam tratadas de forma não discriminatória".
O porta-voz do Ministério da Economia da Alemanha recusou-se a comentar a reportagem.
A energia nuclear está crescendo vigorosamente em toda a Europa. A Bélgica aprovou uma lei que interrompeu o plano de eliminação da energia nuclear, enquanto a Suécia e alguns países da Europa Central estão planejando construir mais reatores nucleares.









