Estudo da XP no Brasil: El Niño favorece hidrelétricas no curto prazo e pressiona preços de energia
2026-08-01 17:01
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De acordo com pt.wedoany.com-A XP Research divulgou um relatório especial afirmando que a intensificação do fenômeno El Niño será favorável à geração hidrelétrica e manterá a pressão de baixa sobre os preços de energia no curto prazo.

Canal Solar - XP afirma que El Niño deve favorecer hidrelétricas e aliviar preços de energia no curto prazo

A instituição avalia que as chuvas previstas acima da média nas regiões Sul e na bacia do rio Paraná contribuirão para a recomposição dos reservatórios da usina hidrelétrica de Itaipu e do subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Esse subsistema concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Com a melhora das condições hidrológicas, espera-se pressão de baixa sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência para a operação de curto prazo do mercado de energia. A XP listou o setor de utilities como um dos mais impactados por esse fenômeno climático.

O relatório aponta que o El Niño afeta o desempenho das geradoras por meio de três fatores-chave: demanda de energia, níveis dos reservatórios e preços de negociação no mercado. O aumento das temperaturas eleva o uso de ar-condicionado e sistemas de refrigeração, pressionando a carga do sistema elétrico; já o aumento das chuvas melhora a afluência, reduz o risco hidrológico e amplia a disponibilidade de geração hidrelétrica. A XP avalia que, nos próximos meses, o impacto positivo das condições hidrológicas superará o crescimento da demanda por carga.

As projeções do mercado já apresentam ajustes. A XP afirma que o impacto já está refletido nos contratos futuros de energia. Os preços de energia negociados no Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) foram revisados para baixo entre o final de maio e o final de junho, com queda de 29% no preço médio projetado para o terceiro trimestre de 2026 e de 12% no quarto trimestre; os contratos a partir do primeiro trimestre de 2027 variaram entre 1% e 3%. A XP explica que essa diferença reflete a concentração do impacto das chuvas na estação seca atual, enquanto os preços de 2027 ainda dependem do desempenho da próxima estação chuvosa. No dia da divulgação do relatório, o preço da energia de 2026 negociado no BBCE era de 241 reais/MWh, 31% abaixo dos 347 reais/MWh do modelo da XP; a diferença para os contratos do terceiro trimestre de 2026 chegou a 52%.

A queda dos preços de energia pode afetar o desempenho das geradoras que ainda possuem volume significativo de energia não contratada para 2026. A posição média não contratada das empresas acompanhadas pela XP é de apenas 2%, ou seja, em média 98% da energia comercializável de 2026 já está contratada. Entre as empresas, a Axia Energia apresenta a maior exposição, com 19% de sua energia não contratada no balanço anual; Engie Brasil e Cemig estão quase totalmente contratadas, sendo menos impactadas pela volatilidade do mercado de curto prazo; a Auren possui posição vendida, podendo se beneficiar da queda dos preços no mercado de curto prazo. A XP avalia que o impacto do El Niño deve se concentrar no curto prazo, sem alterar a lógica de investimento baseada nas perspectivas de preços de longo prazo.

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