Aproximadamente 64 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de insuficiência cardíaca, e quase metade delas morre dentro de cinco anos após o diagnóstico, devido à falta de tratamentos eficazes que possam impedir a progressão da doença. A insuficiência cardíaca ocorre quando a capacidade de bombeamento do coração cai abaixo de 40%. A maioria dos tratamentos existentes concentra-se em aliviar a carga sobre o coração, em vez de atacar a causa raiz da doença. Os pesquisadores ainda estão investigando as causas da insuficiência cardíaca e os mecanismos por trás de sua piora.

Estudos recentes sugerem que o sistema imunológico pode ser um fator chave na piora da insuficiência cardíaca. Os linfócitos T, parte do mecanismo de defesa do corpo, normalmente ajudam o organismo a se recuperar de lesões e a combater infecções. Eles promovem a cicatrização de feridas produzindo citocinas anti-inflamatórias e regulam outras células imunológicas para combater patógenos.
No entanto, quando os linfócitos T são ativados de forma anormal e atacam os próprios tecidos do corpo, podem desencadear doenças autoimunes. Por exemplo, o diabetes tipo 1 e a psoríase estão relacionados a ataques errôneos dos linfócitos T. Pesquisas dos últimos 13 anos mostram que o comportamento dos linfócitos T durante a insuficiência cardíaca merece atenção.
Se os linfócitos T podem ajudar a cicatrizar feridas na pele, por que não conseguem reparar danos cardíacos? A equipe de pesquisa descobriu, através de experimentos com camundongos, que um tipo de célula imune chamada linfócito T auxiliar produz citocinas pró-inflamatórias. Essas proteínas causam danos adicionais ao coração durante a insuficiência cardíaca, perpetuando a piora da condição.
No estudo mais recente com tecidos humanos, os cientistas analisaram amostras de corações com insuficiência obtidos de pacientes transplantados. Os resultados mostraram que os linfócitos T permaneciam ativos nesses tecidos cardíacos e continuavam a ativar proteínas pró-inflamatórias, agravando os danos ao coração em vez de promover sua reparação. A composição proteica dentro dos linfócitos T em corações com insuficiência apresentava características semelhantes às dos linfócitos T em doenças autoimunes.
Essas descobertas indicam que a insuficiência cardíaca pode induzir os linfócitos T a exibir um padrão de resposta semelhante ao das doenças autoimunes. Embora o mecanismo exato da insuficiência cardíaca ainda precise ser mais bem elucidado, considerá-la como uma doença relacionada ao sistema imunológico oferece uma nova perspectiva para o tratamento. Direcionar-se aos linfócitos T hiperativos pode se tornar uma estratégia potencial para impedir a progressão da insuficiência cardíaca e melhorar o prognóstico dos pacientes.









