Nos últimos anos, políticas de descarbonização, oferta de matéria-prima e inovações em processos de refino impulsionaram mudanças significativas nas áreas de diesel renovável e biodiesel. A transição de matérias-primas de óleos vegetais para óleos residuais, gorduras animais, culturas não alimentícias e vias microbianas emergentes reduziu a competição com a produção de alimentos, ao mesmo tempo em que diminuiu o uso de água e as emissões de gases de efeito estufa. Inovações no design de catalisadores e na integração de processos melhoraram a eficiência da desoxigenação, a seletividade de hidrocarbonetos e a utilização de subprodutos, além de promoverem a redução do consumo de hidrogênio e a compatibilidade com fontes de hidrogênio de baixo carbono. Através do aumento da eficiência energética, estratégias de coprocessamento em refinarias e tecnologias de captura e armazenamento de carbono, a intensidade de carbono do ciclo de vida foi ainda mais reduzida, permitindo que alguns combustíveis atinjam intensidades de carbono ultrabaixas ou líquidas negativas. Mandatos de mistura e políticas de combustíveis de baixo carbono nos principais mercados globais fortaleceram esses avanços tecnológicos, impulsionando a expansão da capacidade e do investimento, fazendo com que o biodiesel e o diesel renovável transicionem de combustíveis de conformidade para vetores estratégicos de energia de baixo carbono.
A diversificação de matérias-primas é fundamental para a inovação tecnológica, e o setor está migrando para matérias-primas não alimentícias e de baixo carbono, como culturas de cobertura, algas e resíduos florestais. Por exemplo, óleos residuais e gorduras animais são reaproveitados como subprodutos, sendo quase neutros em carbono, o que reduz as emissões de carbono no processo de refino. Culturas não alimentícias, como a camelina e o pinhão-manso, absorvem dióxido de carbono durante o crescimento, compensando as emissões da combustão, e não competem por recursos destinados à produção de alimentos, podendo reduzir o uso de água em aproximadamente metade. Pesquisas de quarta geração exploram vias microbianas de engenharia genética, fornecendo um roteiro para a inovação em matérias-primas. Essas mudanças apoiam o desenvolvimento sustentável do diesel renovável, reduzindo sua pegada ambiental.
Em termos de inovação em catalisadores, a otimização em nível de sistema combinada com melhorias químicas aumenta a eficiência de conversão e a vida útil do catalisador através da otimização da configuração do reator e do gerenciamento de hidrogênio. Estudos mostram que o hidrotratamento em dois estágios e projetos avançados de reatores podem melhorar a seletividade e reduzir os custos operacionais. Além dos catalisadores tradicionais, como NiMo/γ-Al₂O₃, catalisadores bimetálicos e de metais não preciosos, como os à base de CoMo e Ni-W, aumentam a tolerância a matérias-primas com impurezas. Formulações de catalisadores com estruturas de poros personalizadas podem alcançar taxas de conversão de triglicerídeos superiores a 98%, limitam a formação de subprodutos, facilitam o processamento de fluxos lipídicos mistos e melhoram a flexibilidade da matéria-prima e a sustentabilidade do processo.
A redução da intensidade de carbono do ciclo de vida é alcançada através de eficiência energética, otimização de matérias-primas e tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS). Pesquisas indicam que a combinação de fluxos de CO₂ de origem biológica com CCS pode produzir combustíveis com intensidade de carbono ultrabaixa ou líquida negativa, avançando os objetivos de descarbonização. Desde 2017, sistemas relacionados têm se desenvolvido a uma taxa de crescimento anual composta de 30%. Padrões regulatórios, como o Padrão de Combustível de Baixo Carbono da Califórnia, ajudam a quantificar a redução de emissões. A adaptação de refinarias existentes para o coprocessamento de matérias-primas renováveis reduziu as despesas de capital, e embora existam limitações como a desativação de catalisadores, a inovação continua a expandir as capacidades. Lições aprendidas com a expansão de instalações na Europa e nos EUA enfatizam as melhores práticas em flexibilidade de matéria-prima, gestão da cadeia de suprimentos e integração de CCS, enquanto enfrentam desafios regulatórios e de mercado.
No setor de transportes, o biodiesel demonstra potencial de redução de emissões. Dados da Dinamarca mostram que o biodiesel pode reduzir as emissões em até 81%, conforme confirmado pelo projeto CLEANSHIP. Caminhões pesados e ônibus consomem de 40% a 50% da produção global de diesel, e misturas de alta concentração como o B100 podem reduzir as emissões de CO₂ em 30% a 70%. Testes da Mercedes-Benz mostraram que a mudança de uma mistura B15 para B100 pode reduzir as emissões de CO₂ em 65%. Até 2025, espera-se que os níveis de mistura de biodiesel variem de 5% a 20%, com um uso global de aproximadamente 76 bilhões de litros em 2023, representando 3,5% do pool de diesel. Políticas como o RenovaBio do Brasil e a proposta da Alemanha incentivam o uso de combustíveis mistos, promovendo investimentos e crescimento do mercado.
Em suma, inovação tecnológica, apoio político e diversidade de matérias-primas impulsionaram a transformação do diesel renovável e do biodiesel. A transição para matérias-primas não alimentícias, os avanços em catalisadores e a integração de CCS tornam possível a produção de combustíveis com baixa intensidade de carbono, apoiando os esforços globais de descarbonização. Embora enfrente desafios como oferta de matérias-primas e integração de processos, a capacidade de adaptação do setor aponta o caminho para a expansão. À medida que a indústria acelera para atingir as metas climáticas, esses combustíveis desempenharão um papel central em um futuro energético sustentável, sendo a pesquisa, a colaboração e a evolução das políticas cruciais para liberar seu potencial.









