O banco central da Venezuela, sob pressão da escassez de dólares, adotou uma estratégia de venda de ouro para aliviar a crise cambial. No segundo semestre de 2025, o país vendeu quase seis toneladas de ouro, refletindo o padrão de resposta das autoridades de usar ativos tangíveis para manter a estabilidade monetária em um contexto de receitas de exportação limitadas e pressões crescentes na balança de pagamentos. O momento da venda de ouro coincidiu com o incidente de apreensão de um petroleiro em 10 de dezembro de 2025, que exacerbou a redução do fluxo de dólares, forçando o banco central a acelerar a liquidação de ativos.
As reservas de ouro da Venezuela caíram de cerca de 365 toneladas em 2013 para 47 toneladas em 2025, uma redução de mais de 80%, mostrando uma tendência de longo prazo de esgotamento de ativos. Embora o ouro tenha sido vendido em 2025, o valor total das reservas em dólares aumentou 30% devido à alta dos preços do metal precioso, mascarando a redução dos ativos físicos. As exportações de petróleo perderam cerca de 85% de sua receita entre 2013 e 2025, intensificando a pressão fiscal e levando o banco central a priorizar a liquidez de curto prazo em vez do acúmulo de reservas de longo prazo durante a crise.
Na crise cambial, a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a do mercado paralelo se ampliou, criando oportunidades de arbitragem que consumiram ainda mais as reservas cambiais. O banco central enfrentou opções de política: implementar controles, permitir a desvalorização ou liquidar ativos, optando finalmente por vender ouro para manter a estabilidade da taxa de câmbio oficial. Além disso, parte das reservas de ouro, avaliadas em cerca de US$ 1,8 bilhão, está congelada no Banco da Inglaterra e inacessível desde 2019, afetando a liquidez operacional.
Fatores geopolíticos, como sanções e congelamentos de ativos, criaram um padrão sistêmico em várias economias, incluindo Rússia, Irã e Afeganistão, aumentando a incerteza nos mercados de metais preciosos. Após a transição política de janeiro de 2026, os EUA permitiram a repatriação de parte da receita do petróleo, fornecendo uma injeção de US$ 300 milhões em dólares, aliviando temporariamente a pressão para vender ouro e reduzindo a diferença cambial.
No futuro, a estabilidade econômica da Venezuela exigirá a resolução de vulnerabilidades estruturais, incluindo a recuperação do setor petrolífero e o desenvolvimento da diversificação. A estratégia de venda de ouro revela a complexidade do gerenciamento de ativos soberanos em condições de crise, enquanto a volatilidade dos preços dos metais preciosos pode continuar a afetar a avaliação das reservas. Os investidores devem estar atentos aos riscos associados, incluindo volatilidade de preços e incertezas geopolíticas.









