A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) do Brasil rescindiu formalmente o contrato que abrange 457,3 quilômetros de rodovias no Rio Grande do Sul, abrindo espaço para a estruturação de uma nova concessão. O contrato, detido pela Ecosul, cobria trechos das rodovias BR-116 e BR-392 e estava programado para terminar em 3 de março de 2026, sem prorrogação. Segundo a ANTT, conforme a legislação vigente, a administração, manutenção e operação desses trechos serão transferidas para a administração pública federal até que um novo processo licitatório seja realizado. A gestão das rodovias será executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Com a rescisão do contrato, cinco praças de pedágio foram desativadas, incluindo uma das mais caras do Brasil, que cobrava R$ 19,60 para carros de passeio. O DNIT já firmou cinco contratos para investir cerca de R$ 211,2 milhões em manutenção viária ao longo de dois anos, incluindo trabalhos como recuperação do pavimento, limpeza e restauração de sinalização. Cerca de 270 funcionários da antiga concessionária enfrentam demissão, e associações comerciais locais estão auxiliando aproximadamente 60 trabalhadores na busca por novos empregos. Os serviços de atendimento de emergência serão assumidos pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros, com expectativa de aumento de cerca de 5 mil chamadas de emergência por ano.
De acordo com a ANTT, os estudos técnicos que subsidiarão o modelo da nova concessão para o trecho estão sendo finalizados, incluindo análise de demanda, estimativa de investimentos e estruturação econômico-financeira. Espera-se que o novo contrato introduza 14 pontos de cobrança em fluxo livre (free-flow), substituindo as cinco tradicionais praças de pedágio. As tarifas propostas variam entre R$ 2,12 e R$ 5,43, com isenção nos primeiros quatro meses e desconto de 50% do quarto ao décimo segundo mês. Consultas públicas estão agendadas para março em Brasília, Pelotas e Porto Alegre. A licitação está planejada para agosto de 2026, com investimentos estimados em mais de R$ 6 bilhões. Este projeto faz parte de uma onda mais ampla de concessões rodoviárias no Brasil, com o governo federal planejando leiloar 14 contratos na área em 2026, abrangendo 7.295 km de rodovias e investimentos previstos de R$ 158 bilhões.










