As principais empresas de infraestrutura do Brasil planejam investir mais de R$ 50 bilhões (aproximadamente US$ 9,96 bilhões) em suas operações até 2026. As despesas de capital previstas envolvem grandes empresas que atuam em áreas de infraestrutura urbana, como rodovias, saneamento, mobilidade urbana e aeroportos, as quais obtiveram uma série de contratos de concessão e parcerias público-privadas nos últimos anos. Embora o Banco Central tenha reduzido a taxa Selic de 15% para 14,75% esta semana, as altas taxas de juros continuam a pressionar o financiamento das empresas, embora a disponibilidade de várias opções de financiamento de longo prazo tenha melhorado o gerenciamento dessa situação.

No segmento rodoviário da infraestrutura urbana, a Motiva, maior concessionária de rodovias do país, planeja investir R$ 7,167 bilhões, cerca de 13% a mais que em 2025. A empresa possui 13 contratos de concessão rodoviária, e os maiores investimentos este ano serão destinados à RioSP (R$ 1,67 bilhão), Pantanal (R$ 1,1 bilhão), Sorocabana (R$ 935 milhões) e ViaSul (R$ 667 milhões). Rodrigo Araújo, CFO da Motiva, afirmou que as obras do trecho Serra das Araras da RioSP estão avançando rapidamente, com 4 km do trecho de subida já entregues. Outra gigante rodoviária, a Ecorodovias, planeja investir R$ 5,4 bilhões, com foco na Ecovias Rio Minas, que conecta a região metropolitana do Rio de Janeiro a Governador Valadares (MG), com um plano de investimento de cerca de R$ 15 bilhões até 2030.
Os investimentos no segmento de saneamento da infraestrutura urbana também são significativos. A Sabesp, maior empresa de saneamento do país por receita, prevê despesas de capital próximas a R$ 24 bilhões para 2026, totalizando 38 projetos planejados. A Sabesp dará início à segunda fase do Programa Integra Tietê, com investimentos de R$ 8 bilhões para revitalizar o rio Tietê e seus afluentes, além de R$ 2,4 bilhões em obras de resiliência hídrica, incluindo a interligação dos reservatórios Billings–Taiaçupeba. A Copasa planeja investir R$ 3,1 bilhões, enquanto a Aegea Saneamento deve manter suas despesas de capital acima de R$ 5 bilhões. A empresa detém 37% do mercado privado de saneamento, atendendo mais de 39 milhões de pessoas.
Na mobilidade urbana, os investimentos no Metrô de São Paulo aumentaram significativamente, com um orçamento de R$ 5,9 bilhões para 2026. Em janeiro, o maior montante, de R$ 212 milhões, foi alocado para a expansão da Linha 2-Verde, que deve receber R$ 2,76 bilhões em investimentos este ano. A Linha 15-Prata receberá R$ 1,06 bilhão e a Linha 17-Ouro, R$ 996 milhões. A Motiva planeja investir R$ 1,05 bilhão em sua rede de mobilidade urbana, operando 189 km de trilhos e 124 estações sob cinco contratos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
No setor aeroportuário, o BNDES anunciou financiamento para a espanhola Aena, o que deve alavancar um investimento total superior a R$ 9 bilhões nos aeroportos operados pela empresa no Brasil. A Aena já iniciou obras em 11 aeroportos, incluindo Congonhas (SP), projeto que faz parte do "Novo PAC" na área de infraestrutura urbana.









