Mercado de boi gordo no Brasil registra recuo sazonal em maio, mas exportações ativas e oferta restrita sustentam patamar
2026-05-09 19:19
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De acordo com pt.wedoany.com-No início de maio, o mercado de boi gordo em diversas regiões pecuárias do Brasil já sentiu a pressão do setor de processamento, mas isso ainda não abalou a avaliação geral sobre os fundamentos do mercado. O analista da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, considera que o movimento atual é um ajuste sazonal típico, e não uma queda estrutural. Ele destacou: "A queda no preço da arroba em maio é um ajuste, não uma crise." O preço do "boi China" no estado de São Paulo, com pagamento a prazo e impostos inclusos, recuou para R$ 360 por arroba nesta semana, uma redução de R$ 2 em relação ao período anterior, configurando uma correção natural após meses consecutivos de alta.

A sustentação do mercado advém principalmente de três fatores: oferta restrita de boi gordo para abate, exportações de carne bovina ainda aquecidas e a dificuldade dos frigoríficos em completar suas escalas de abate sem oferecer preços mais altos. Alguns frigoríficos com escalas mais confortáveis reduziram temporariamente as compras à vista, pressionando as cotações em algumas regiões, mas o cenário geral de escassez de animais prontos para abate não se alterou. A consultoria Agrifatto observou que os lotes com capacidade de entrega rápida estão especialmente disputados, e pecuaristas que possuem animais padronizados para exportação frequentemente conseguem fechar negócios com preços acima da média do mercado.

O setor exportador continua a dar suporte ao mercado do boi gordo. Os embarques de carne bovina brasileira mantiveram-se fortes desde o início de 2026, com as exportações para a China permanecendo como um dos principais destinos. O analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, afirmou que o mercado acompanha atentamente o ritmo de utilização da cota de exportação para a China, que totaliza 1,1 milhão de toneladas, havendo a possibilidade de seu preenchimento ocorrer antes do previsto. Ainda assim, o fluxo atual de embarques não mostra sinais de enfraquecimento, constituindo um suporte real para o preço da arroba. No mercado interno, o pico de consumo do Dia das Mães também proporcionou certo alívio para as cotações nesta semana, amenizando a intensidade da correção de preços.

A situação das escalas de abate não é uniforme entre as regiões. No Mato Grosso, a tendência real foi oposta, com encurtamento das escalas e necessidade de reajustar o ritmo de compras, corroborando a capacidade limitada de oferta de boi gordo nas principais regiões produtoras. Após o avanço do ciclo pecuário e a retenção de fêmeas, a disponibilidade de animais para abate tornou-se ainda mais restrita. De modo geral, os pecuaristas mantêm uma postura cautelosa, sendo poucos os dispostos a vender a preços baixos, e a oferta de animais que atendem aos padrões de exportação permanece reduzida. Em São Paulo, referência de preços, o boi gordo comum é cotado em torno de R$ 355 por arroba, enquanto o "boi China" se mantém próximo de R$ 360. Como referência de preços à vista, Goiás registra cerca de R$ 338,79, Minas Gerais R$ 339,06, Mato Grosso do Sul R$ 348,52 e Mato Grosso R$ 355,00.

O mercado futuro também registrou queda. O contrato de boi gordo para julho na B3, a bolsa de valores brasileira, fechou a R$ 336,10 por arroba, com recuo de 1,29%. Diversas instituições avaliam que este ajuste é decorrente, em grande parte, de movimentos técnicos e da transição sazonal típica de maio, não alterando os fatores fundamentais de sustentação, como a demanda externa, a oferta controlada e a necessidade dos frigoríficos de pagarem mais para adquirir os animais.

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