Ministério da Agricultura do Brasil reconhece oficialmente a raça ovina Berganês
2026-05-25 17:24
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De acordo com pt.wedoany.com-O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente a raça ovina Berganês, uma decisão que consolida décadas de seleção genética no semiárido nordestino e reforça a tendência da agricultura nacional de valorizar raças adaptadas ao clima e aos ambientes desafiadores do Brasil.

O reconhecimento oficial foi concretizado pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) por meio da Portaria nº 1.630, que também autorizou a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) a executar o serviço de registro genealógico da raça. O Berganês torna-se, assim, uma das raças ovinas oficialmente reconhecidas pelo governo federal, obtendo apoio institucional para programas de expansão genética, comercialização e melhoramento animal.

Embora o Berganês já fosse conhecido entre os criadores do Nordeste, especialmente nos estados de Pernambuco, Bahia, Maranhão, Paraíba e Piauí, o reconhecimento oficial abre uma nova fase para a raça. O principal avanço reside no sistema oficial de registro genealógico, que permite rastrear linhagens, controlar características produtivas e organizar os rebanhos. O ministério considera que esse processo auxilia na identificação, no acompanhamento zootécnico e na preservação das características da raça. Na prática, isso significa maior segurança na venda de matrizes e reprodutores, valorização genética e maior credibilidade em projetos de melhoramento, exposições e leilões especializados. Além disso, o reconhecimento abre caminho para a expansão do Berganês em sistemas de produção de carne e couro.

O Berganês surgiu no semiárido nordestino, resultado do cruzamento entre as raças Santa Inês e Bergamácia brasileira, com o objetivo de desenvolver um ovino mais resistente às condições da Caatinga, sem perda de desempenho produtivo.

Mapa reconhece oficialmente a raça ovina Berganês

A história da raça está diretamente ligada ao município de Dormentes, no sertão pernambucano, onde produtores locais iniciaram os cruzamentos já na década de 1980, numa época em que a região enfrentava dificuldades com secas frequentes. Após várias gerações de melhoramento, alcançou-se um padrão genético relativamente homogêneo. Pesquisadores e criadores apontam que a composição genética do Berganês é predominantemente Santa Inês, incorporando as características produtivas da Bergamácia. O desenvolvimento da raça resultou da experiência prática dos criadores nordestinos, o que explica sua forte identidade regional.

O reconhecimento oficial ocorre num momento em que a ovinocultura brasileira busca aumentar a produtividade sem perder a adaptação climática. O Berganês ganhou notoriedade por reunir características valorizadas pelo mercado. Seus principais diferenciais incluem boa adaptação ao clima quente e seco do semiárido, rápido ganho de peso, rusticidade, carne com maior marmoreio, boa conformação de carcaça e aptidão para sistemas de produção extensivos e semi-intensivos. Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada, alguns exemplares adultos podem ultrapassar 130 kg, um patamar elevado para os padrões da ovinocultura nacional. Além disso, animais que atingem rapidamente o peso de abate são economicamente mais competitivos em regiões com altos custos de alimentação.

O reconhecimento do Berganês é interpretado como uma vitória simbólica para a ovinocultura nordestina. Historicamente, a maior parte dos programas nacionais de genética animal concentrou-se em bovinos de corte e leite, e as iniciativas voltadas para ovinos frequentemente levaram anos para obter reconhecimento formal. A oficialização da raça contribui para consolidar o Nordeste como um dos polos mais importantes da produção ovina brasileira, especialmente em sistemas adaptados ao semiárido. A tendência é que o Berganês ganhe mais espaço em feiras agropecuárias, exposições, centrais de genética e programas de seleção, além de atrair o interesse comercial de produtores de outras regiões.

O avanço do Berganês ocorre paralelamente ao crescimento gradual do consumo de carne ovina no Brasil. O setor no país atravessa uma fase de profissionalização e aumento da demanda por cortes de alta qualidade, com consumidores buscando maior padronização, rendimento de carcaça e regularidade no fornecimento. Nesse contexto, raças adaptadas ao Brasil e capazes de oferecer desempenho produtivo estável tornam-se estrategicamente importantes. A busca por sistemas mais resilientes ao clima tornou-se uma prioridade em várias regiões do país. Assim, o reconhecimento do Berganês destaca como a adaptação regional pode ser um ativo econômico na pecuária moderna. O material oficial do ministério enfatiza que o registro genealógico contribuirá para organizar a cadeia produtiva, proteger as características da raça e melhorar a genética dos rebanhos.

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