Produção química brasileira cresce 22,8% no primeiro trimestre de 2026, e taxa de utilização da capacidade sobe para 63%
De acordo com pt.wedoany.com-De acordo com dados divulgados pela Abiquim, associação comercial dos produtores de produtos químicos do Brasil, no primeiro trimestre de 2026, a produção da indústria química do país cresceu 22,8% em relação ao trimestre anterior, e as vendas internas também aumentaram 22,7%, apresentando uma clara tendência de recuperação. Este crescimento contrasta com a melhoria moderada da economia em geral no mesmo período e reverte parcialmente a situação de longa data do setor, pressionado pelas importações.
A taxa de utilização da capacidade instalada também registrou recuperação. Do ponto baixo de 49% em dezembro de 2025, subiu para 63% em março de 2026. Entre os segmentos, a utilização no setor de cloro-álcalis passou de 46% para 56%, e a de intermediários para fertilizantes, de 45% para 66%. Os intermediários plásticos destacaram-se no crescimento mensal dentro do trimestre, com um aumento de 26% em março face a fevereiro, enquanto os intermediários para fertilizantes cresceram 10,6% e as resinas termoplásticas, 4%, atingindo uma taxa de utilização de 70%.
O principal motor desta recuperação foi a redução das importações. O volume de produtos químicos importados caiu 19,1% no primeiro trimestre, o que fez com que a participação da produção local na oferta interna subisse de 42% em dezembro de 2025 para 56% em março de 2026.
Andre Passos, CEO da Abiquim, atribuiu parte da melhoria às medidas de defesa comercial do governo, como direitos antidumping e aumento das tarifas de importação. Ele considera: "O desempenho da indústria química é resultado das medidas corretas adotadas pelo governo federal desde 2025, sem gerar impacto inflacionário." E enfatizou: "Não podemos enfraquecer os instrumentos de defesa comercial justamente quando começam a trazer resultados concretos para a indústria nacional."
Apesar dos dados trimestrais positivos, Passos mantém uma visão cautelosa sobre as perspectivas. Em comparação com o mesmo período de 2025, a produção e as vendas de produtos químicos ainda caíram 4,1% no primeiro trimestre. Ele destacou: "O primeiro trimestre de 2026 trouxe um alívio importante para a indústria química brasileira, mas ainda estamos muito distantes de um equilíbrio estrutural e de um cenário competitivo." E acrescentou: "Sem resolver a questão dos custos de matérias-primas e energia, será muito difícil transformar esta reação cíclica em um ciclo sustentável de crescimento industrial e investimentos."
Numa perspectiva de mais longo prazo, nos 12 meses encerrados em março de 2026, a produção acumula queda de 7% e as vendas internas encolheram 8,2%, indicando que a recuperação trimestral ainda não reverteu a tendência de queda de médio prazo. Os dados mostram que o déficit comercial da indústria química brasileira atingiu US$ 54,9 bilhões em 2025, sendo um dos setores com maior déficit na economia. Segundo a Abiquim, a penetração das importações de produtos químicos subiu de 7% em 1990 para 49% em 2025.
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