Petrobras retoma produção de fertilizantes na Bahia e outros estados, com previsão de atender 35% da demanda nacional de nitrogenados até 2028
2026-05-27 17:02
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De acordo com pt.wedoany.com-A Petrobras retomou a produção de fertilizantes nos estados da Bahia e Sergipe, com o objetivo de transformar esse negócio em uma nova fronteira estratégica, ampliando assim o mercado de gás natural, reduzindo a dependência externa do Brasil e fortalecendo a presença industrial da companhia na região Nordeste. A declaração foi feita no dia 13, em entrevista, pelo gerente executivo de Processamento de Gás Natural da companhia, Wagner Felicio, às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, à fábrica Fafen-BA, em Camaçari.

Wagner Felicio

Segundo Wagner Felicio, a reativação da fábrica de fertilizantes de Camaçari foi possível graças à ampliação da oferta de gás natural no Brasil, especialmente após a entrada em operação do sistema Rota 3, que adicionou 21 milhões de metros cúbicos diários de capacidade de gás natural ao mercado interno. Ele afirmou que a Petrobras é tanto uma grande produtora quanto uma grande consumidora de gás natural e, quando oferta e demanda se equilibram, o negócio de fertilizantes se torna economicamente viável. Essa estratégia marca uma importante mudança na lógica da companhia — no passado, o segmento de fertilizantes era visto como um negócio financeiramente pouco atrativo, mas agora a empresa aposta na integração entre produção de gás natural, fertilizantes, refino e geração de energia para alcançar a sustentabilidade econômica da operação.

Atualmente, a fábrica Fafen Bahia produz cerca de 1.300 toneladas de ureia por dia, o equivalente a aproximadamente 5% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados. Somada à produção da Fafen Sergipe, a participação da Petrobras no mercado nacional de nitrogenados já atinge cerca de 12%. A Araucária Nitrogenados, por sua vez, atende a outros 8% da demanda nacional. Com a futura entrada em operação da fábrica UFN3, no Mato Grosso do Sul, a companhia prevê atender 35% da demanda brasileira de nitrogenados até 2028. Wagner afirmou que o Brasil importa quase toda a ureia que consome, e que essa realidade está mudando.

A Petrobras também planeja ampliar o alcance comercial dos fertilizantes produzidos no Nordeste, buscando um modelo de distribuição mais descentralizado, voltado principalmente para pequenos agricultores organizados em cooperativas. Para isso, a companhia já estabeleceu parcerias com o Ministério da Agricultura e com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entre outras instituições. A Bahia continua sendo o principal mercado consumidor da ureia de Camaçari, com cerca de 55% da produção da fábrica permanecendo no estado, enquanto o produto também é comercializado para o Maranhão e Mato Grosso, entre outros.

Além da retomada das operações, a Petrobras estuda novos investimentos para ampliar a capacidade e modernizar as fábricas. Um dos projetos em análise é a iniciativa "Bahia Verde", que prevê a produção de fertilizantes com menor pegada de carbono utilizando hidrogênio obtido por eletrólise da água, em linha com a tendência global de descarbonização das indústrias química e de fertilizantes. Wagner afirmou que o objetivo é produzir amônia e ureia com menor intensidade de carbono. Investimentos já estão em andamento para aumentar a confiabilidade operacional das fábricas da Bahia e de Sergipe, que ficaram paradas por muitos anos. Segundo Wagner, somente na Fafen Bahia, os investimentos já somam cerca de R$ 100 milhões. A retomada das fábricas tem um impacto significativo no mercado de trabalho regional, com cerca de 80% da mão de obra utilizada na reativação sendo local, composta por muitos trabalhadores que já conheciam a fábrica e possuíam experiência anterior.

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