De acordo com pt.wedoany.com-A Lorenz, maior processadora de mandioca do Brasil (pertencente ao Grupo GTF), está acelerando a expansão industrial e ampliando sua influência global. Em 2025, a empresa registrou uma receita de R$ 385 milhões, com o crescimento do desempenho impulsionado pelo aumento das exportações, expansão das fábricas e desenvolvimento de novos amidos industriais voltados para a indústria alimentícia.
A companhia possui quatro unidades de produção nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, processando cerca de 25 mil toneladas de mandioca por mês e exportando seus produtos para mais de 40 países. A Lorenz conta com uma rede de mais de 1.200 produtores parceiros de mandioca, garantindo o fornecimento contínuo e o controle de qualidade desde a origem. A empresa também é reconhecida por oferecer soluções personalizadas.
"Essas certificações reforçam nosso compromisso com a consistência da qualidade de cada produto e materializam nosso propósito de 'criar transformação'. Em mais de um século de história, buscamos otimizar processos continuamente, investir em tecnologia e atender às diferentes demandas do mercado. Nosso objetivo é fornecer aos clientes produtos cada vez mais seguros, confiáveis e alinhados aos mais altos padrões nacionais e internacionais", afirmou Aleksandro Siqueira, diretor de Novos Negócios da Lorenz.
Este avanço ocorre em um momento em que o Brasil se esforça para agregar valor aos produtos agrícolas, transformando matérias-primas tradicionais em soluções industriais de maior rentabilidade e complexidade tecnológica. A mandioca, historicamente associada à alimentação básica no Brasil, está se tornando uma das matérias-primas mais versáteis da moderna indústria agroindustrial. O progresso tecnológico do setor permite que o amido da raiz seja utilizado em produtos embutidos, molhos e maionese, confeitaria e doces, alimentos ultraprocessados, produtos sem glúten, indústria farmacêutica, aplicações veganas, além de bioplásticos e soluções industriais.
O mercado busca ingredientes que melhorem a textura, estabilidade, rendimento e eficiência do processamento sem aumentar os custos industriais. Segundo a empresa, os novos desenvolvimentos incluem soluções para salsichas, maionese e balas de goma, com foco em aumentar o rendimento industrial e reduzir a quantidade de ingredientes na formulação. Isso não é apenas uma expansão do portfólio, mas revela uma mudança estrutural no posicionamento da mandioca brasileira na cadeia global de ingredientes alimentícios.
Nos últimos anos, a indústria alimentícia global passou por mudanças significativas. O consumidor moderno pressiona as empresas por rótulos mais limpos, menos aditivos, produtos veganos, formulações mais sustentáveis, maior eficiência produtiva e menos desperdício industrial. Isso abriu espaço para ingredientes funcionais naturais, especialmente derivados vegetais com alta capacidade técnica. Nesse contexto, o Brasil possui importantes vantagens competitivas, incluindo alta disponibilidade de matéria-prima, clima favorável, produção agrícola consolidada e capacidade de expansão industrial. A mandioca possui características muito valorizadas pela indústria: alta produtividade por hectare, forte adaptabilidade climática, competitividade de custo, versatilidade industrial e potencial para substituir parcialmente ingredientes sintéticos. O progresso da Lorenz reflete a transformação da cadeia agroindustrial brasileira, de exportadora de matérias-primas para fornecedora de ingredientes tecnológicos.
A expansão internacional da Lorenz é notável, com produtos exportados para mais de 40 países. O crescimento das exportações ocorre em meio à reorganização das cadeias de suprimentos globais, especialmente após os impactos logísticos e inflacionários dos últimos anos. Segundo analistas do setor de ingredientes, empresas capazes de oferecer rastreabilidade, estabilidade de fornecimento, inovação, sustentabilidade e escala industrial já ocupam posições vantajosas no mercado global. Além disso, a demanda internacional por ingredientes alternativos e soluções de base vegetal continua a se expandir, particularmente na Europa, América do Norte e Ásia.
A disposição industrial da empresa no Mato Grosso do Sul e Paraná também explica o avanço do setor. Ambos os estados possuem tradição no cultivo de mandioca e estão consolidando clusters agroindustriais focados no processamento da raiz. O Mato Grosso do Sul se fortalece cada vez mais como um dos maiores polos agroindustriais do Brasil, atraindo investimentos em bioenergia, proteína animal, celulose e processamento de alimentos. O Paraná continua sendo um marco histórico na produção e industrialização de mandioca, reunindo cooperativas, produtores especializados e uma forte integração logística. Essa combinação promove ganhos de escala, proximidade com os produtores, redução de custos logísticos e estabilidade no fornecimento industrial.
De acordo com Aleksandro Siqueira, diretor de Novos Negócios da Lorenz, o foco da empresa é justamente desenvolver soluções que aumentem a eficiência industrial sem comprometer a qualidade. Ele afirmou que as novas linhas de produtos, como Lorenz MS, ODP e LTE, visam atender às demandas modernas da indústria, incluindo eficiência produtiva, sustentabilidade e mercados específicos, como o setor vegano. Esta declaração revela que o setor de ingredientes não compete mais apenas por preço, mas disputa mercado através da tecnologia de aplicação. Atualmente, empresas que conseguem oferecer soluções para reduzir perdas, aumentar o rendimento, melhorar a estabilidade, simplificar formulações e otimizar custos industriais obtêm uma vantagem competitiva significativa.
O caso da Lorenz, maior processadora de mandioca do Brasil, simboliza uma tendência mais ampla na agricultura brasileira: a busca por um maior nível de industrialização, tanto dentro quanto fora da porteira. Deixando de depender exclusivamente da exportação de commodities primárias, o Brasil começa a ampliar os investimentos em ingredientes industriais, bioinsumos, proteínas processadas, biotecnologia, alimentos funcionais e química verde. Este processo trará mais empregos industriais, maior geração de valor agregado, diversificação econômica regional e menor dependência das flutuações de preços das commodities tradicionais. A mandioca, uma cultura frequentemente subestimada na agricultura nacional, começa agora a ocupar uma posição estratégica nesta nova lógica industrial. O avanço dos processadores e transformadores brasileiros demonstra que as empresas que dominam a tecnologia de aplicação agroindustrial frequentemente capturam as maiores margens de lucro.
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