BNDES do Brasil planeja impulsionar mineração em alto-mar e colabora com a Marinha para mapear o leito oceânico
2026-05-27 17:03
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De acordo com pt.wedoany.com-O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está começando a incorporar em sua visão estratégica a altamente controversa exploração de minerais no leito marinho. A instituição já está colaborando com a Marinha do Brasil para mapear áreas estratégicas e sensíveis. Em terra firme, o BNDES está analisando 56 projetos relacionados a minerais críticos, que devem mobilizar R$ 50 bilhões em investimentos. No entanto, no âmbito oceânico, o potencial ainda é desconhecido, e a agência de desenvolvimento deseja mudar essa realidade, considerando a Vale e a Petrobras como parceiras potenciais.

Mineração em alto-mar entra no radar do BNDES. Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Nesta terça-feira (26 de maio), o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comparou a mineração marítima à indústria de petróleo e gás offshore, defendendo o avanço de pesquisas para viabilizar a extração mineral no leito marinho em águas brasileiras. "A geopolítica dos recursos oceânicos é uma dimensão importante. 71% da Terra é coberta por água, o que significa que 71% dos nossos minerais e recursos estratégicos estão nos oceanos." Mercadante considera inevitável o crescimento da mineração marítima, tese reforçada nos últimos anos pelo interesse de países como Estados Unidos, China, Índia e Noruega. Contudo, a relação custo-benefício dessa atividade é repleta de incertezas e controvérsias em escala global: de um lado, a disputa por minerais críticos para a transição energética e defesa; do outro, o escasso conhecimento sobre os ecossistemas potencialmente afetados e a contribuição do leito oceânico para o equilíbrio do planeta. Enquanto a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) discute a criação de um código de mineração para regulamentar a exploração submarina, cresce a pressão pela proibição ou moratória da prática. Isso se aplica a águas internacionais, enquanto cada país define suas próprias regras internamente. O Brasil já iniciou a discussão sobre sua regulamentação.

Mercadante afirmou que o BNDES está financiando projetos que ajudarão a localizar ativos críticos e identificar as áreas de maior pressão ambiental. Um deles é o Planejamento Espacial Marinho (PEM), desenvolvido pelo governo federal em parceria com a Marinha, para mapear a plataforma continental brasileira. "Precisamos de um plano diretor para o mar, para sabermos o que podemos e o que não podemos fazer, evitando achismos ou lobby." Ele mencionou a Vale e a Petrobras como parceiras potenciais do BNDES para desbravar essa nova fronteira, combinando a expertise de uma mineradora e de uma petrolífera para investir em minerais críticos, justificando-se pela soberania. Mercadante destacou que a Petrobras já realiza pesquisas sobre minerais críticos na plataforma continental no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). "Precisamos olhar para a mineração no mar. Este é um capítulo do futuro, que carrega o porvir, e temos que nos preparar para isso", declarou.

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