De acordo com pt.wedoany.com-O governo do estado do Rio Grande do Sul assinou, em 25 de maio, dois decretos que encerram mais de 20 anos de restrições judiciais e ambientais, retomando a atividade de mineração de areia no Lago Guaíba, em Porto Alegre, capital do estado, e permitindo o aproveitamento comercial dos sedimentos resultantes da dragagem de canais fluviais no estado. A cerimônia de assinatura ocorreu no Palácio Piratini, com a presença do governador Eduardo Leite, do vice-governador Gabriel Souza e outras autoridades.

O Decreto nº 597/2026, publicado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), aprovou o plano de zoneamento ambiental da área de mineração do Lago Guaíba, delimitando uma área explorável de aproximadamente 20,51 mil hectares, o que representa 4% da área total do lago, concentrada principalmente nas proximidades de Barra do Ribeiro. O espelho d'água do lago possui cerca de 496 km² e profundidade média de 2 metros. Antes da implementação do plano de zoneamento, a Fepam estava impedida de emitir licenças de mineração devido a uma decisão judicial. O novo zoneamento foi elaborado com base em estudos integrados de hidrodinâmica, sensibilidade ambiental, usos múltiplos do lago e potenciais impactos da mineração. O decreto não autoriza a extração automaticamente; os titulares de direitos minerários deverão solicitar individualmente à Fepam as Licenças Prévia e de Instalação, e cada requerimento será analisado considerando a localização específica, o impacto ambiental e a conformidade ambiental.
O Decreto nº 601/2026, assinado na mesma data, estabelece normas para o aproveitamento comercial do material proveniente da dragagem de manutenção dos canais hidroviários internos do Rio Grande do Sul. O sistema hidroviário envolvido totaliza cerca de 286 km de extensão, conectando Porto Alegre ao Porto de Rio Grande, passando pela Lagoa dos Patos, Lago Guaíba, Delta do Jacuí e foz dos rios Caí, Sinos e Gravataí. O aproveitamento comercial do material só é permitido em áreas com direito minerário vigente junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) e mediante licenciamento ambiental da Fepam. O decreto também exige a implementação de cercamento eletrônico nas áreas de extração, a instalação de sistemas de rastreamento nas dragas e que o descarregamento do material seja feito exclusivamente em terminais hidroviários de minério licenciados.
Anteriormente, devido à restrição judicial, a Fepam aguardava a conclusão do plano de zoneamento para poder emitir as licenças de mineração. Durante a elaboração do zoneamento, foram avaliados diversos indicadores técnicos, incluindo toxicidade dos sedimentos, parâmetros geofísicos e condições do terreno para lavra. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou: "Este zoneamento foi construído com base em estudos de biologia, geofísica, toxicologia e hidrodinâmica." O presidente da Fepam, Renato Chagas, destacou que os dois decretos promovem a regularização do processo de licenciamento mineral e ampliam a capacidade de monitoramento e planejamento territorial.
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