De acordo com pt.wedoany.com-A análise de reputação digital do setor de mineração em maio de 2026 mostra que a indústria mineral argentina vive um dos ciclos reputacionais mais favoráveis dos últimos anos. O relatório baseia-se em 100 reportagens de 37 fontes, das quais 62% têm tom positivo, 15% crítico e 23% neutro, mantendo a tendência de abril.

O ciclo positivo da reputação digital da mineração deve-se principalmente ao Regime de Grandes Investimentos (RIGI). Esse regime representou 30% dos temas da agenda do mês, com projetos aprovados consecutivamente acumulando novos investimentos superiores a US$ 7,5 bilhões. Em maio, foram confirmados vários grandes projetos: a entrada da Glencore no projeto El Pachón (investimento de até US$ 10,5 bilhões), a expansão do projeto Cauchari-Olaroz pela Lithium Argentina e Ganfeng (US$ 1,2 bilhão), o projeto PSJ Cobre Mendocino (US$ 891 milhões) e o projeto AbraSilver Diablillos na região NOA (US$ 764 milhões). A McEwen Mining concluiu o estudo de viabilidade do projeto Los Azules, com investimento de US$ 3,17 bilhões, e a construção está prevista para começar em 2026. Esses sinais indicam que o pipeline de investimentos passou de potencial a comprometido.
Os dados de exportação reforçam ainda mais essa tendência. A Câmara Argentina de Mineração (CAEM) prevê que as exportações em 2026 atinjam US$ 9 bilhões, um crescimento de 49% em relação ao ano anterior, com o primeiro trimestre já registrando um recorde histórico de US$ 2,4 bilhões. O crescimento é ainda mais significativo no lítio: a Argentina superou o Chile em exportações, tornando-se a segunda maior do mundo, com três grandes projetos em operação na região da Puna. A Feira de Mineração de San Juan atraiu delegações de 49 países, gerando um impacto econômico de mais de 11,5 bilhões de pesos para a província.
O relatório também registra três riscos reputacionais que não devem ser subestimados. O primeiro é a Lei das Geleiras: a reforma já acumulou mais de 850 mil assinaturas de oposição e enfrenta questionamentos judiciais que, se apoiados pela Suprema Corte, podem reverter a narrativa positiva da noite para o dia. O segundo são os conflitos com comunidades indígenas: queixas sobre a falta de consulta prévia em projetos de lítio na província de Jujuy foram apresentadas a organismos internacionais, e a Fundação Ambiente e Recursos Naturais (FARN) já submeteu um relatório à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O terceiro é a fragilidade do sistema interprovincial, evidenciada pelo bloqueio do projeto Vicuña, envolvendo BHP e Lundin Mining, na província de La Rioja. Mesmo com acordos entre as províncias, eventos de fragmentação institucional podem afetar a continuidade dos projetos e gerar incertezas na sociedade.
O setor tem hoje uma janela de confiança rara. Mantê-la exige comunicação proativa sobre empregos locais, royalties e fornecedores regionais, além de diálogo precoce com as comunidades antes que os conflitos cheguem aos tribunais. A consolidação da mineração argentina depende do nível de organização e integração que empresas e setor público conseguirem alcançar, e da capacidade de ambas as partes cumprirem tudo o que o Regime de Grandes Investimentos (RIGI) promete.
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