T&E Europa: Demanda global por biocombustíveis pode crescer 70% até 2030
2026-06-06 14:38
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De acordo com pt.wedoany.com-Um novo estudo da Federação Europeia de Transporte e Ambiente (T&E) mostra que a atual disputa por matérias-primas de biocombustíveis em resposta aos altos preços do petróleo pode levar a um aumento de 30% no consumo global de biocombustíveis até 2026 e de 70% até 2030. Isso pode pressionar severamente os preços globais de alimentos, com os preços dos óleos vegetais já em níveis máximos desde 2022. A T&E alerta os governos para não trocarem uma crise de combustíveis por uma crise alimentar.

O relatório aponta que os preços da maioria dos produtos alimentares — especialmente óleos vegetais — subiram por três meses consecutivos, repetindo o padrão observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Desde o ataque dos EUA e Israel ao Irão e o subsequente aumento dos preços do petróleo, governos como os dos EUA, Indonésia e Tailândia propuseram novas metas de mistura de biocombustíveis. Ao mesmo tempo, grandes exportadores como Brasil e Indonésia estão a restringir as exportações de culturas-chave para biocombustíveis.

Kädi Ristkok, diretora de Energia e Clima da T&E, afirmou: "Os governos estão a jogar um jogo perigoso ao promover 'alimentos por combustível'. É compreensível que os líderes procurem soluções para a atual crise petrolífera, mas os biocombustíveis só podem desempenhar um papel marginal no nosso sistema energético, caso contrário, terão consequências devastadoras. Os impactos imprevistos nos preços dos alimentos e no ambiente são enormes. Os governos devem optar por alternativas mais sustentáveis, como a eletrificação, em vez de alimentar carros com combustível."

Devido à escassez de fertilizantes, a produção agrícola futura será limitada, e as reservas globais de produtos alimentares correm o risco de se esgotar rapidamente. Os biocombustíveis já consomem 5% dos fertilizantes mundiais, mas produzem apenas 4% do combustível de transporte global. Qualquer aumento na produção de biocombustíveis pressionará ainda mais um mercado já gravemente afetado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Em alguns países, a situação é particularmente grave: a Indonésia utiliza quase um quinto dos seus fertilizantes para biocombustíveis, enquanto nos EUA essa proporção é de um décimo. A análise da T&E mostra que mais de 50% das importações de fertilizantes dos principais produtores globais de biocombustíveis dependem da Rússia, China e Médio Oriente.

O estudo conclui que é difícil aumentar a oferta de biocombustíveis sem competir com culturas alimentares. Se os biocombustíveis representarem 20% da mistura de combustíveis rodoviários globais, como a Indonésia e o Brasil estão a tentar alcançar, seriam necessários mais 130 milhões de hectares de terra — equivalente a toda a área terrestre da África do Sul. Isso levaria à perda de ecossistemas, e a desflorestação subsequente resultaria em emissões de carbono muito superiores às dos combustíveis fósseis que substituiriam. Kädi Ristkok concluiu: "A escassez global de fertilizantes ameaça a segurança alimentar mundial. Embora os governos procurem formas de armazenar fertilizantes, ninguém fala sobre biocombustíveis. Quanto mais culturas queimamos, mais fertilizantes precisamos. Os governos devem priorizar os alimentos em vez dos combustíveis."

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