De acordo com pt.wedoany.com-O presidente da Associação Brasileira das Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Abragás), José Luiz Rocha, defende que grandes revendedores de gás liquefeito de petróleo (GLP) obtenham autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para atuarem como bases de envase de botijões.

A proposta foi apresentada à ANP no âmbito das discussões sobre a reforma do setor de GLP, cujos pontos foram apresentados em reunião no dia 29 de maio e serão novamente debatidos na pauta da diretoria nesta sexta-feira (12 de junho). A opção de envase foi rejeitada, mas tem potencial para pôr fim ao direito exclusivo de enchimento das distribuidoras. Entre outras medidas, a ANP pode sugerir autorizar que agentes possam envasar qualquer botijão de GLP em circulação.
Atualmente, cada distribuidora controla os recipientes de sua própria marca. A associação das distribuidoras (Sindigás) afirma que a reforma da ANP promoveria concorrência desleal ao permitir o enchimento de outras marcas. A Abragás argumenta que, nos pontos de venda com capacidade de armazenar pelo menos 12.000 kg de produto (ou seja, pontos de venda classe V), as regras de segurança seguem padrões mais rigorosos. A classificação vai de I a VII, além de uma categoria especial para estabelecimentos que armazenam mais de 99.800 kg de GLP.
Em entrevista à agência eixos, Rocha afirmou que os pontos de venda classe V ou superior são capazes de oferecer as mesmas garantias de segurança atualmente fornecidas pelas distribuidoras no envase de GLP. Segundo a Abragás, os pontos de venda que se enquadram nessa categoria representam cerca de 15% dos cerca de 60 mil revendedores autorizados no país. Rocha esclareceu que a abertura se restringe a grandes pontos de venda, e não à liberação do envase em postos de combustíveis. Ele considera infundada a visão de que a liberação do envase remoto alimentaria o crime organizado, pois os pontos de venda ilegais já operam na clandestinidade, sem sequer atender aos requisitos de segurança.
Rocha explicou que os revendedores autorizados compram botijões cheios apenas das distribuidoras, enquanto os revendedores informais os adquirem de revendedores intermediários. O problema da infiltração do crime organizado no setor já é uma realidade e não está relacionado à adoção de novas regras. Na apresentação feita pela área técnica da ANP na reunião de 29 de maio, o diretor Diogo Valério destacou que as medidas regulatórias propostas na reforma são mais rigorosas do que as regras atuais, incluindo o controle de botijões por número de série e a obtenção de notas fiscais. O uso de números de série também é considerado pela Abragás a solução mais adequada para rastrear os botijões, em vez de gravar marcas nos recipientes. Segundo levantamento da associação, cerca de 40% dos botijões em circulação no mercado já possuem numeração, o que estabelece uma base para garantir o início do processo de rastreamento por meio desse modelo.
Quanto aos custos do processo de requalificação, a Abragás propôs à ANP que sejam de responsabilidade de todos os agentes envolvidos no envase dos botijões, incluindo qualquer grande ponto de venda autorizado. Rocha observou que, no modelo atual, os custos de requalificação já estão embutidos no preço de venda dos botijões pelas distribuidoras, sendo pagos indiretamente pelos consumidores. Para a Abragás, acabar com o direito exclusivo de enchimento das distribuidoras e adotar um novo sistema de rastreamento ajudará a eliminar as barreiras de entrada no mercado de distribuição de GLP. José Luiz Rocha concluiu que os revendedores desejam se libertar das amarras e ter liberdade de escolha na compra.
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