A Águia Fertilizantes planeja investir R$ 350 milhões no Brasil até 2028
2026-06-11 11:10
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De acordo com pt.wedoany.com-Em meio a um cenário de retração de investimentos, congelamento de operações e até mesmo busca por venda de fábricas por parte de empresas multinacionais de fertilizantes, uma empresa brasileira de capital australiano optou por expandir na contramão. Após mais de uma década de pesquisas minerais, licenciamento ambiental e desenvolvimento de produtos, a Águia Fertilizantes iniciou a operação de fosfato no Rio Grande do Sul e planeja investir mais de R$ 350 milhões até 2028.

Com o 'Fosfato Pampa', a Águia Fertilizantes planeja investir R$ 350 milhões no Rio Grande do Sul até 2028

Controlada pela australiana Aguia Resources, listada na Bolsa de Valores de Sydney, a empresa iniciou recentemente a mineração de fosfato em Lavras do Sul e planeja elevar a capacidade de produção para 450 mil toneladas anuais nos próximos anos. Em entrevista ao AgFeed, o diretor-geral no Brasil, Diego Boeira, afirmou que, em um momento de crescente incerteza no fornecimento de fertilizantes no Brasil, a Águia busca oferecer previsibilidade de preços e suprimento ao mercado.

A empresa iniciou a extração imediatamente após obter a licença de operação em maio. Até o momento, o projeto já recebeu cerca de R$ 230 milhões em investimentos, com outros R$ 80 milhões previstos para a construção de uma nova fábrica industrial ao lado da mina, além de uma reserva de R$ 10 a R$ 20 milhões para licenciamento e desenvolvimento de novas áreas. Boeira afirmou que a empresa provavelmente ultrapassará R$ 350 milhões em investimentos totais no Rio Grande do Sul até 2028, valor que inclui os aportes iniciais feitos há mais de uma década.

As operações da Águia no Rio Grande do Sul começaram há mais de dez anos. Fundada em 2008, a empresa iniciou pesquisas minerais na região em 2011, após descobrir rochas ricas em fósforo em uma área originalmente perfurada em busca de ouro. Os estudos estimam que a região contém cerca de 105 milhões de toneladas de "rocha dura" (das quais 99 milhões de toneladas) e solo saprolítico. Em 2015, a empresa concluiu a avaliação do depósito e iniciou o processo de licenciamento ambiental. A licença de instalação foi obtida em 2022, as obras foram concluídas no final de 2025 e a autorização de operação foi concedida recentemente. Nos primeiros anos, a empresa planeja extrair apenas cerca de 6 milhões de toneladas de material superficial, suficientes para sustentar aproximadamente 18 anos de operação.

Para acelerar a entrada no mercado, a Águia optou por alugar a fábrica de fertilizantes granulados de Dagoberto Barcelos, em Caçapava do Sul, por um período de 20 anos. Com capacidade anual de 120 a 150 mil toneladas, a unidade produzirá o fertilizante fosfatado natural chamado "Pampafos", cuja matéria-prima vem da mina Três Estradas, em Lavras do Sul. Em 2026, a empresa planeja produzir cerca de 70 mil toneladas de Pampafos. A partir de 2027, está prevista a construção de uma nova fábrica industrial com capacidade de 300 mil toneladas anuais ao lado da mina Três Estradas. A partir de 2028, a capacidade total das duas instalações atingirá 450 mil toneladas por ano. A decisão de manter ambas as unidades produtivas baseia-se, em parte, na consideração da empresa em utilizar outro depósito de rocha fosfática próximo a Caçapava do Sul. Boeira destacou que a vida útil estimada desse depósito é de cerca de 15 anos. Além desses dois pontos de mineração, a empresa identificou outras quatro áreas de direitos minerários que serão objeto de estudos adicionais.

O produto, comercializado sob a marca Pampafos, é direcionado principalmente a culturas como soja, milho, arroz, trigo e pastagens, que foram alvo de testes agronômicos iniciados em 2019. Boeira afirmou que a empresa realizou testes por sete anos, com bons resultados; os testes com o produto do depósito de Caçapava do Sul começaram em 2024 e estão atualmente no terceiro ciclo de crescimento. Na estratégia de vendas, a empresa adotou inicialmente um modelo de pré-venda, oferecendo apenas volumes que podem ser entregues com segurança até o final deste ano, com descontos progressivos para clientes que fizerem pedidos antecipados. Além do Rio Grande do Sul, a empresa já recebeu consultas de distribuidores e agricultores de Santa Catarina e do Paraná. A empresa também iniciou o processo de registro para vender o produto no Uruguai, mas o foco atual permanece no Rio Grande do Sul.

Embora opere formalmente como uma empresa de mineração, Boeira afirmou que a empresa hoje está mais próxima da agricultura do que da mineração tradicional. Em termos de estrutura acionária, a empresa foi fundada por brasileiros, mas o financiamento principal vem do exterior. Boeira destacou que o Brasil carece de recursos especificamente voltados para novas explorações no setor mineral, o que torna inevitável a busca por investidores internacionais, com o capital de risco concentrado atualmente em Toronto, no Canadá, e Sydney, na Austrália. O próprio Boeira está envolvido no projeto desde a fase de licenciamento ambiental. Nos primeiros anos, ele trabalhou para a consultoria canadense Golder Associates, liderando os estudos ambientais do projeto, e posteriormente participou diretamente do desenvolvimento operacional, juntando-se à empresa. Atualmente, o conselho de administração da empresa é composto principalmente por executivos australianos, enquanto as operações no Brasil são gerenciadas por uma equipe local. Além do negócio de fosfato no Brasil, a empresa possui ativos de ouro, prata e cobre na Colômbia, alguns em estágio avançado de desenvolvimento. A empresa também planeja explorar cobre no Brasil.

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