Energisa, do Brasil, selecionará de 5 a 10 projetos para testar tarifas de eletricidade com baterias
2026-06-16 09:00
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De acordo com pt.wedoany.com-A Energisa planeja selecionar de 5 a 10 projetos nos próximos 12 meses para expandir seu escopo de testes de flexibilidade elétrica. Os testes abrangem áreas como armazenamento de energia em baterias, resposta à demanda, tarifas inteligentes e agregação de recursos distribuídos.

Letícia Dantas, diretora de Inovação da Energisa.

A chamada de inovação lançada pela empresa em janeiro recebeu 296 propostas, marcando uma nova fase do seu projeto FlexLab. O FlexLab é uma plataforma de testes criada pela Energisa para validar tecnologias que possam melhorar a eficiência e a flexibilidade da operação da rede elétrica, em resposta às tendências de geração distribuída, veículos elétricos e eletrificação econômica.

Letícia Dantas, diretora de Inovação da Energisa, afirmou que a seleção final será concluída em 24 de junho, e o anúncio oficial dos projetos selecionados está previsto entre julho e agosto.

"O objetivo é colocar esses projetos em operação em 12 meses, não necessariamente concluí-los todos nesse período, mas lançar o primeiro lote ainda este ano e o segundo no primeiro semestre do ano que vem", revelou durante um evento de pré-aquecimento do MinutoMega Talks, promovido pela MegaWhat no Rio de Janeiro.

Das 296 propostas recebidas, 70 entraram em fase de avaliação e 20 foram apresentadas diretamente a executivos e especialistas convidados durante um dia de pitch promovido pela empresa.

Os projetos selecionados serão inicialmente testados no ecossistema de flexibilidade da Energisa, que reúne ativos em Palmas (Tocantins), Uberlândia (Minas Gerais), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Letícia afirmou que os testes iniciais se concentram nessas localidades, mas os projetos não se limitam a esses locais.

A plataforma de flexibilidade da empresa opera atualmente sete ativos, incluindo sistemas de armazenamento de energia instalados atrás do medidor de consumidores comerciais e industriais, além de estações de recarga e projetos voltados para a operação da rede de distribuição.

Em Palmas, sistemas de baterias instalados em uma academia e um hotel têm sido usados para testar aplicações como redução de picos, transferência de carga, regulação do consumo e permitir que consumidores ofereçam serviços ao migrar para o mercado livre de energia. Letícia afirmou que esses projetos geram benefícios econômicos para os clientes, ao mesmo tempo que permitem que a distribuidora avalie o desempenho da tecnologia em condições operacionais reais.

Um dos consumidores já adotou o sistema de armazenamento como principal solução de energia de reserva, reduzindo a dependência de geradores a diesel. "Ele quase não percebe a presença da bateria, sente que o serviço funciona melhor e que não depende mais do diesel", comentou Letícia.

A empresa também realiza testes de gerenciamento inteligente de recarga de veículos elétricos em Uberlândia, com o objetivo de otimizar o uso das estações de recarga, reduzir o tempo ocioso, melhorar as condições tarifárias para os operadores e contribuir para uma operação mais eficiente da rede. Letícia considera isso um mecanismo de flexibilidade que combina ajuda à rede, melhoria tarifária e vantagens.

A chamada de inovação foi estruturada em cinco áreas principais: energia aberta, agregação de redes, veículos elétricos, armazenamento de energia e resposta à demanda.

Uma das propostas recebidas veio da Universidade de Stanford, visando desenvolver uma ferramenta de planejamento geoelétrico para distribuidoras. Letícia afirmou que a proposta busca incorporar uma perspectiva locacional ao planejamento da rede, considerando as características específicas de cada área de concessão para se adaptar ao crescimento da carga e ao avanço da geração distribuída em diferentes regiões. Ela citou Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como exemplos de regiões que exigem abordagens diferentes das tradicionais. Segundo ela, a Energisa está trabalhando para migrar de modelos mais determinísticos para abordagens probabilísticas que possam incorporar variáveis como clima, eventos extremos, crescimento regional, expansão da geração distribuída e adoção de veículos elétricos.

Outra área que despertou interesse foi o desenvolvimento de plataformas de tarifas inteligentes. Uma proposta recebida pela Energisa, desenvolvida nos Estados Unidos, utiliza modelos de inteligência artificial e aprendizado de máquina para simular diferentes estruturas tarifárias em tempo real. A empresa já teve experiência nessa área com a sandbox tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e agora busca expandir sua capacidade de simulação e avaliação tarifária.

Além disso, a empresa recebeu propostas relacionadas à agregação de recursos distribuídos, plataformas de compartilhamento e adaptação de tecnologias estrangeiras ao mercado brasileiro. O investimento total ainda não foi definido e dependerá dos projetos selecionados. A Energisa espera transformar o FlexLab em uma plataforma permanente de desenvolvimento e validação de soluções de flexibilidade.

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