De acordo com pt.wedoany.com-A renovação do Estádio Santiago Bernabéu, desde o planeamento até à execução, adotou integralmente a metodologia de Modelação da Informação da Construção (BIM), tornando-se um dos projetos de construção mais ambiciosos da Europa nos últimos anos. Este estádio, cujo investimento ultrapassa os 1,3 mil milhões de euros, foi projetado pela L35 Architects em parceria com a GMP Architekten e a Ribas & Ribas. Mantendo o funcionamento normal das atividades diárias do estádio, transformou uma instalação construída em meados do século XX numa infraestrutura multifuncional que acolhe eventos desportivos, concertos, eventos empresariais e grandes espetáculos.
A obra inclui um telhado retrátil, um revestimento exterior metálico, um sistema de relva retrátil, um placar de vídeo panorâmico de 360 graus e a requalificação de vastos espaços comerciais, de restauração e de receção. A atuação simultânea de várias equipas especializadas tornou a gestão da informação um fator crítico. A metodologia BIM foi aplicada em todo o ciclo de vida do projeto, através da criação de um modelo gémeo digital que integra informações sobre a estrutura, instalações, planeamento da construção, custos e futuras operações de manutenção, centralizando a informação e promovendo a colaboração entre as partes. Segundo Borja Sánchez Ortega, diretor do projeto Espacio BIM e diretor do Mestrado em Gestor BIM Internacional (+Inteligência Artificial e Realidade Virtual), esta abordagem "foi essencial para coordenar os diferentes profissionais e gerir uma obra extremamente complexa sem comprometer o funcionamento do estádio".
Durante a fase de renovação, mais de uma centena de modelos digitais especializados trabalharam em conjunto, otimizando processos, melhorando a tomada de decisões e reduzindo os riscos de execução. Hendrik Hiddemann, responsável pelo BIM do projeto e profissional da L35 Architects, afirmou numa entrevista ao programa AbiertoXObras do Espacio BIM que "o BIM não só ajuda a coordenar a obra, como também a resolver problemas que surgem; no futuro, será uma ferramenta fundamental para a gestão e manutenção do estádio".
Além do BIM, o projeto recorreu a ferramentas de design paramétrico, simulação e análise automatizada para estudar soluções estruturais e avaliar o comportamento de elementos complexos, como o telhado retrátil e o revestimento exterior metálico. Cada lâmina metálica que compõe a fachada foi fabricada através de design digital e processos automatizados de alta precisão, sendo instalada de acordo com as especificações definidas no modelo virtual. O projeto incluiu ainda simulações de luz e reflexos para minimizar o impacto visual na envolvente. A inteligência artificial foi utilizada no projeto para análise de dados, automatização de processos e coordenação do planeamento de tarefas, sem substituir as funções de design autónomo dos arquitetos e engenheiros.
A digitalização também se refletiu no planeamento logístico. Manter o estádio em funcionamento durante a construção exigiu uma coordenação precisa dos acessos, abastecimentos e áreas de obra. As ferramentas digitais, ao simularem diferentes cenários de execução, minimizaram as perturbações nas atividades desportivas e nos eventos realizados no recinto. O novo Estádio Santiago Bernabéu tornou-se, assim, uma referência internacional na construção digital, demonstrando o potencial do BIM, do design paramétrico e da simulação avançada na otimização do planeamento, na melhoria da coordenação e na redução de riscos em grandes projetos de infraestruturas.
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