Prefeitura do Rio de Janeiro planeja criar modelo de gêmeo digital da costa
2026-06-30 10:07
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De acordo com pt.wedoany.com-A Prefeitura do Rio de Janeiro está em negociações com o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) para criar um modelo de gêmeo digital da costa carioca. O INPO é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O modelo construirá um mapa digital do relevo submarino entre a Praia do Flamengo e a Praia do Recreio, numa faixa de até 5 quilômetros da costa. O Rio será o ponto de partida de um projeto maior do INPO: modelar toda a costa do Oceano Atlântico.

O subsecretário de Empreendedorismo e Inovação do Rio, Bernardo Ainbinder, disse ao Mobile Time que o modelo será usado para analisar a interação entre ondas e eventos de chuvas intensas, a fim de melhorar as previsões de enchentes e outros impactos socioambientais. Além disso, permitirá avaliar com mais precisão ressacas e a elevação do nível do mar, além de apoiar a gestão costeira, o licenciamento ambiental e a autorização de atividades econômicas nas praias.

O gêmeo digital da costa é uma das iniciativas da Prefeitura do Rio para usar tecnologia digital no enfrentamento de emergências climáticas, especialmente voltadas para comunidades carentes da cidade. Um dos projetos é o "Polvos da Maré", que utiliza dispositivos fabricados com impressão 3D na favela da Maré para coletar dados georreferenciados ambientais (como temperatura), operados por voluntários da comunidade. O projeto é realizado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e faz parte da iniciativa global "Senseable City Lab".

Atualmente, os dispositivos do projeto "Polvos da Maré" ainda não estão conectados à rede, transmitindo dados por cabos, mas já está prevista uma nova versão com conectividade móvel. Também está sendo estudada a expansão do projeto para outras favelas da cidade. Outra iniciativa do Senseable City Lab no Rio é a modelagem tridimensional de comunidades cariocas usando LiDAR, ou seja, a criação de gêmeos digitais de favelas. Esse trabalho já foi concluído em parte da favela do Vidigal. Devido à necessidade de acordos com lideranças locais, a expansão do projeto para outras comunidades tem sido lenta.

Há ainda o projeto "Brisa Mais", que cruza dados de incidência de doenças respiratórias, como tuberculose, para estudar se intervenções arquitetônicas ou urbanísticas de baixo impacto podem melhorar a circulação de ar e, consequentemente, a saúde local. Esses dados poderão, no futuro, ser inseridos nos gêmeos digitais das favelas para simular soluções de reforma.

O Rio de Janeiro enfrenta quatro grandes riscos climáticos: elevação do nível do mar, enchentes, deslizamentos e estresse térmico. Os projetos de tecnologia digital mencionados visam ajudar a Prefeitura a monitorar e mitigar esses problemas, especialmente nas comunidades mais carentes. Ainbinder explica que o objetivo é gerar e integrar dados para a recriação virtual de favelas e simular cenários de adaptação climática. Ele exemplifica que cada comunidade tem realidades diferentes: no Rio das Pedras, uma comunidade horizontal não corre risco de deslizamento, mas enfrenta ameaças de elevação do nível dos rios; já na Rocinha, o maior risco são os deslizamentos. O uso de tecnologias como gêmeos digitais ou modelagem digital pode aumentar a precisão e a eficácia da resposta preventiva do poder público diante dos riscos em áreas vulneráveis.

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