De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho de Ministros espanhol aprovou um quadro regulatório que prevê a realização de dois leilões de cogeração industrial em 2026 e 2027, com uma capacidade total instalada de 1.200 megawatts (MW), visando a modernização das unidades de cogeração existentes através da construção de instalações eficientes. A medida, impulsionada pelo Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico de Espanha, estabelecerá um mecanismo de remuneração específico para novas centrais de cogeração que utilizem gás natural ou biomassa, bem como para instalações existentes que possam ser adaptadas a estes combustíveis.

A iniciativa integra a atualização do Plano Nacional Integrado de Energia e Clima 2023-2030, que considera a cogeração uma tecnologia capaz de proporcionar flexibilidade e suporte ao sistema elétrico com elevada penetração de energias renováveis, ao mesmo tempo que melhora a eficiência energética dos processos industriais. Cada um dos dois leilões distribuirá 600 MW, e a compatibilidade do seu mecanismo de remuneração com os auxílios foi aprovada pela Comissão Europeia. As instalações participantes devem cumprir requisitos de elevada eficiência, sendo consideradas eficientes quando a poupança de energia primária ultrapassar os 10%, embora as fábricas com capacidade inferior a 1 MW apenas necessitem de gerar poupança energética.
Pela primeira vez, o novo quadro permite a participação em leilões de projetos de cogeração que utilizem biomassa como combustível, além das centrais a gás natural. As instalações a gás natural devem limitar as emissões a um máximo de 270 gramas de CO₂ por quilowatt-hora (gCO₂/kWh) e estar preparadas para utilizar pelo menos 10% de hidrogénio renovável. Para os projetos de biomassa, é necessário cumprir os critérios europeus de sustentabilidade e redução de emissões. Segundo estimativas do governo, a adição destes 1.200 MW de capacidade evitará a emissão de cerca de 8,4 milhões de toneladas de CO₂ durante o ciclo de vida regulatório das instalações.
A capacidade máxima de cada instalação participante é de 100 MW, sendo este limite reduzido para 15 MW nos sistemas elétricos não peninsulares. A regulamentação estabelece ainda 12 tipos de instalações de referência (ITR), que servem de base para classificar as diferentes tecnologias e calcular a respetiva remuneração regulatória. Os leilões adotarão um procedimento de licitação selada com preços marginais decrescentes, onde os promotores deverão declarar uma percentagem de redução em relação ao valor padrão do investimento inicial do tipo de instalação de referência a que o seu projeto pertence. A remuneração será calculada de acordo com o regime estabelecido pelo Real Decreto 413/2014, sendo a taxa de rendibilidade razoável para o período regulatório de 2026-2031 de 7,09%. O ciclo de vida regulatório das centrais a gás natural é de 12 anos, e o das instalações de biomassa é de 20 anos.
A atribuição de capacidade inclui ainda mecanismos para promover a concorrência, não podendo qualquer empresa obter mais de 50% da capacidade total leiloada em cada leilão. As quotas específicas para cada tecnologia e instalação serão definidas na resolução que convocar formalmente cada leilão. O governo estima que os custos anuais associados ao mecanismo de remuneração específico para estes 1.200 MW se situem entre 414 milhões e 582 milhões de euros, dependendo da capacidade final atribuída a cada tipo de instalação, dos descontos obtidos durante o processo concorrencial, bem como das variações nos preços de mercado e no funcionamento real das fábricas. A organização dos leilões será da responsabilidade do Operador do Mercado Ibérico de Eletricidade, enquanto a supervisão do processo caberá à Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência.









