De acordo com pt.wedoany.com-Os produtos de núcleo de rede da Ericsson enfrentam uma eliminação gradual pela Deutsche Telekom. Na conferência FutureNet World em Londres, em abril, a Deutsche Telekom apresentou sua plataforma Horizontal TelCo Cloud (HTC) desenvolvida internamente, que suporta aplicações de múltiplos fornecedores, e a Ericsson não figurou como fornecedora-chave. Até 2028, a Deutsche Telekom planeja eliminar completamente seu atual núcleo 5G não autônomo (NSA) baseado na plataforma própria da Ericsson, adotando em vez disso o núcleo autônomo (SA) fornecido pela Mavenir na HTC. Isso destaca as dúvidas externas sobre se grandes fornecedores como a Ericsson estão dispostos a oferecer aplicações que possam ser hospedadas em plataformas de infraestrutura de outros fabricantes.

Laurent Leboucher, diretor de tecnologia do Grupo Orange, comentou na conferência que não é fácil convencer fornecedores a participar do projeto de código aberto Sylva, que visa simplificar implantações em múltiplas plataformas. Ele lembrou que, há um ano, alguns fornecedores que já haviam declarado participação no Sylva não se envolveram efetivamente durante as licitações. No entanto, Jenny Lindqvist, chefe do grupo de negócios de software e serviços em nuvem da Ericsson, insistiu que é um equívoco pensar que a Ericsson se recusa a se adaptar a essa mudança. Ela afirmou não estar preocupada, pois a Ericsson tem clientes que usam sua própria plataforma CNIS (Cloud Native Infrastructure Solution) e muitos outros que utilizam plataformas de terceiros.
O CNIS diferencia a Ericsson de sua concorrente Nokia. A Nokia saiu desse negócio há três anos, transferindo conhecimento especializado e cerca de 350 funcionários para a Red Hat, da IBM. Executivos da Nokia explicaram que não conseguiam competir como desenvolvedores de infraestrutura em nuvem com a Red Hat e os provedores de nuvem em hiperescala. As operadoras de telecomunicações tendem a romper os silos onde cada aplicação está vinculada à sua própria infraestrutura, consolidando todas as aplicações em uma única plataforma de nuvem multivendor, como a HTC da Deutsche Telekom. A Nokia participa da HTC, o que representa concorrência direta para a Ericsson.
Embora houvesse especulações de que a Ericsson seguiria o exemplo da Nokia e sairia desse campo, não foi o que aconteceu. A Ericsson afirma que suas aplicações de núcleo de rede no CNIS já têm mais de 50 implantações em redes ativas, com clientes como Swisscom, Telefónica, Wind Tre, Telstra, SK Telecom e Docomo. Ao mesmo tempo, a empresa tem mais de 15 implantações em nuvens de terceiros, além de clientes que usam o serviço de núcleo sob demanda lançado em parceria com o Google, e sete operadoras estão realizando testes. Lindqvist afirmou que os clientes já veem valor na plataforma própria, que serve como uma alternativa sólida quando precisam de outras plataformas.
A saída da Nokia forçou alguns clientes, incluindo a Orange, a replanejar. Leboucher revelou que o núcleo de rede da Orange ainda opera em infraestrutura tradicional, e a Nokia decidiu descontinuar e parar de suportar sua infraestrutura de nuvem própria, forçando a Orange a migrar. É provável que a Orange execute seu núcleo 5G em sua própria nuvem Orange Telco Cloud no futuro. Leboucher está mais satisfeito com a participação dos fornecedores no projeto Sylva do que há um ano, acreditando que a situação está melhorando e que hoje é muito mais fácil obter o envolvimento dos fornecedores.
Para a Ericsson, a pressão de recursos para atender à demanda do mercado e continuar investindo no CNIS é enorme. O grupo de software em nuvem liderado por Lindqvist tem lutado para ser lucrativo. O grupo registrou seu primeiro lucro operacional em nove anos no ano passado, mas uma margem operacional de 8% ficou abaixo dos 13% da divisão correspondente da Nokia. O grupo de nuvem da Ericsson atingiu apenas o ponto de equilíbrio no primeiro trimestre mais recente, acumulando perdas operacionais de 455 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 47 bilhões) desde 2017. Lindqvist acredita que decisões difíceis precisam ser tomadas para restaurar a lucratividade, mas tem confiança no potencial desse segmento de negócios, acreditando que ele desempenhará um papel importante na diferenciação de conectividade e simplificação operacional.

Para conter as perdas, a Ericsson demitiu cerca de 18.000 funcionários em toda a empresa desde o final de 2022, mais de um quinto do total de funcionários, em parte graças à automação e à inteligência artificial. O futuro CEO, Per Narvinger, afirmou que a transição para tecnologias nativas em nuvem permite que a empresa configure produtos de forma mais eficiente e os gerencie com menos pessoal.
No portfólio de software e serviços em nuvem da Ericsson, o valor do software de núcleo de rede móvel também se reflete no estímulo ao departamento de redes móveis, de maior escala. A Ericsson defende que, para oferecer serviços 5G contínuos com núcleo autônomo, as operadoras precisam implantar equipamentos de rádio de banda média. No entanto, muitas operadoras europeias ainda não fizeram isso. O mais recente "Relatório de Mercado Móvel" da Ericsson mostra que a cobertura de banda média na Europa é de apenas 60%, muito abaixo dos 90% na América do Norte e 95% na Índia. Lindqvist usou o exemplo de grandes shows para ilustrar que apenas o núcleo autônomo de banda média pode fornecer o desempenho de uplink necessário, o que também envolve a tecnologia de fatiamento de rede.
A Ericsson espera que os clientes obtenham receitas mais altas com serviços diferenciados, impulsionando mais investimentos em rede. No entanto, a realidade é que a receita média por usuário de smartphones continua caindo, e o mercado empresarial 5G ainda não decolou. As vendas do grupo empresarial da Ericsson no primeiro trimestre foram de apenas 4,2 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 430 milhões), com uma perda operacional de 1,8 bilhão de coroas suecas (cerca de US$ 190 milhões). Lindqvist afirmou que as autoridades europeias podem melhorar a situação não impedindo fusões de operadoras de telecomunicações. Ela acredita que há muitos participantes no mercado europeu, dificultando que as operadoras ganhem escala para obter retorno sobre o investimento. Ela destacou que os reguladores priorizam a necessidade de preços baixos ao consumidor, e a Ericsson acredita que ajustar o pensamento regulatório seria um bom começo.









