Setor industrial brasileiro busca incluir cooperação em minerais críticos nas negociações tarifárias com os EUA
2026-07-12 11:12
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De acordo com pt.wedoany.com-A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham Brasil) e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Chamber of Commerce) enviaram, em 9 de julho de 2026, uma carta conjunta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos, pedindo uma solução negociada para a ameaça de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a inclusão da cooperação na cadeia de suprimentos de minerais críticos na agenda comercial bilateral. A carta foi endereçada ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, ao Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, bem como ao Embaixador Jamieson Greer, Representante de Comércio dos EUA, e ao Secretário de Estado, Marco Rubio.

Esta ação conjunta ocorre em um momento crucial para as relações comerciais entre EUA e Brasil. Os EUA iniciaram uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, acusando as políticas e práticas brasileiras de prejudicarem os interesses das empresas americanas, o que pode levar à imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA deve tomar uma decisão final até 15 de julho de 2026 sobre a imposição de tarifas ao Brasil.

A CNI é a maior organização industrial do Brasil, representando cerca de 700 mil empresas industriais em todo o país; a Amcham Brasil promove o comércio e o investimento bilateral entre os dois países; e a U.S. Chamber of Commerce é a maior organização empresarial do mundo, representando mais de 3 milhões de empresas nos EUA. Na carta, as três partes propuseram um plano de negociação em duas fases. A curto prazo, a prioridade é buscar uma solução para a investigação da Seção 301, evitando tarifas adicionais sobre produtos específicos do Brasil; a longo prazo, o objetivo é ampliar o diálogo para incluir questões estruturais como cooperação em minerais críticos, resiliência da cadeia de suprimentos, facilitação do comércio e segurança alimentar e energética.

Amostras de minerais estratégicos críticos: níquel, grafite, terras raras, cobre, lítio

No campo dos minerais críticos, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e é rico em recursos minerais estratégicos como lítio, níquel, grafite, cobre e nióbio, essenciais para a transição energética e o desenvolvimento da indústria de inteligência artificial. O setor empresarial acredita que promover a cooperação entre Brasil e EUA nas áreas de extração, processamento e cadeia de suprimentos de minerais críticos pode ajudar o Brasil a se tornar um fornecedor global de matérias-primas críticas, ao mesmo tempo que ajuda os EUA a reduzir sua dependência da cadeia de suprimentos de terras raras chinesas.

O Congresso brasileiro aprovou em maio de 2026 o projeto de lei da "Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos", estabelecendo um marco legal para o setor de minerais críticos. Este apelo conjunto do setor empresarial, vinculando a cooperação em minerais críticos às negociações tarifárias, indica que o Brasil está tentando usar sua dotação de recursos como moeda de troca para obter condições comerciais bilaterais mais favoráveis. A carta conjunta enfatiza que avançar nas relações comerciais bilaterais por meio de negociações, em vez de tarifas unilaterais, pode evitar impactos adversos para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os países.

Atualmente, o governo brasileiro ainda não respondeu oficialmente ao apelo do setor empresarial. Com a aproximação do prazo de 15 de julho para a decisão tarifária dos EUA, resta saber se a cooperação em minerais críticos se tornará um ponto de inflexão nas negociações comerciais entre EUA e Brasil.

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