Empresa brasileira Pamplona Alimentos planeja investir R$ 150 milhões para expandir operações
2026-07-13 10:25
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De acordo com pt.wedoany.com-A Pamplona Alimentos, localizada em Rio do Sul, Santa Catarina, uma das principais processadoras de carne suína do Brasil, iniciou recentemente uma nova fase de desenvolvimento. Após 78 anos sob gestão direta da família fundadora, a empresa contratou pela primeira vez um executivo profissional como CEO e está elaborando uma estratégia que combina expansão industrial, potenciais aquisições e investimentos em inovação para acelerar o crescimento nos próximos anos.

Novo CEO e investimento de R$ 150 milhões: Pamplona Alimentos atende à 'fome por proteína'

O novo CEO, Ronaldo Kobarg Müller, afirmou que a empresa não pretende manter o status quo e que a Pamplona irá crescer. Müller ingressou na empresa como vice-presidente em 2023, trazendo 40 anos de experiência no setor agrícola, tendo trabalhado em grandes empresas de proteína como Sadia, Seara, JBS e Pif Paf. A ex-CEO, Irani Pamplona Peters, filha da família fundadora, que ocupava o cargo desde 2009, agora assumiu a presidência do conselho de administração. A terceira geração da família ainda ocupa cargos de diretoria estratégica, principalmente nas áreas comercial e de inovação. Dos atuais sete diretores, quatro são do mercado e três pertencem à família controladora.

Müller afirmou que, embora mantenha parte da gestão familiar, a empresa está implementando práticas de governança semelhantes às de empresas de capital aberto, mas sem planos de listagem na Bolsa de Valores Brasileira (B3). Ele disse que a empresa está passando por uma transformação para se tornar uma organização mais profissionalizada, respeitando ao mesmo tempo os valores culturais construídos ao longo de 78 anos. Nesse contexto, Müller espera impulsionar o crescimento do negócio.

Após atingir uma receita de R$ 2,5 bilhões em 2025, a empresa projeta um crescimento de 8% este ano, impulsionado pela expansão da capacidade, lançamento de novos produtos e ganhos de eficiência operacional. Müller avalia que a empresa tem duas vias de crescimento: expansão orgânica baseada na capacidade existente e transações de fusões e aquisições. Para apoiar o crescimento orgânico, a empresa planeja investir R$ 150 milhões este ano em inovação e melhorias no sistema de produção. Cerca de R$ 65 milhões serão destinados à expansão da produção de leitões, com a construção de duas novas granjas de suínos em um projeto de três anos, contando com apoio financeiro da Finep, agência de inovação do governo federal brasileiro. Em Pouso Redondo (SC), será construída a Granja Ribeirão Vassouras, com investimento de R$ 52,8 milhões, como parte de um programa de melhoramento genético. Em Rio do Sul, será construída a Granja Lauro Pamplona, um centro de difusão genética e processamento de sêmen suíno de alto índice genético, com investimento previsto de R$ 11,2 milhões. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 80 milhões em automação de fábricas e tecnologia para desenvolvimento de produtos diferenciados nas linhas de produção.

A empresa investiu recentemente R$ 144 milhões na modernização das fábricas em Rio do Sul e Presidente Getúlio, com foco na melhoria das granjas de suínos e da fábrica de rações em Laurentino. Müller enfatizou que, para uma expansão contínua no futuro, o crescimento orgânico por si só não é suficiente, e a empresa está aberta a adquirir outras empresas ou suas instalações industriais. Ele afirmou que, se encontrar alvos que se alinhem culturalmente, tragam complementaridade técnica e permitam diferenciação, a empresa considerará aquisições no mercado, mas ainda não definiu um prazo específico.

Em termos de estratégia de produtos, a empresa lançou recentemente uma linha de produtos prontos para cozinhar em air fryer, visando a tendência de que 44% dos lares brasileiros já possuem o eletrodoméstico. Müller afirmou que esses produtos cozinham rapidamente e visam oferecer conveniência. A empresa também está atenta ao crescimento do uso de canetas emagrecedoras no Brasil e à consequente demanda por alimentos "high protein". Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 62% dos brasileiros conhecem alguém que está usando ou já usou medicamentos injetáveis da classe GLP-1. Müller acredita que a tendência de dietas ricas em proteínas associadas a medicamentos para emagrecimento continuará, e a empresa vê isso como uma oportunidade. De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o lombo suíno cru contém em média 22,6 gramas de proteína por 100 gramas, superior ao peito de frango com pele (20,8 g) e à alcatra bovina sem gordura (21,6 g) no mesmo peso. No entanto, Müller ainda não observou um impacto específico do aumento da demanda por alimentos ricos em proteína nas vendas da empresa, acreditando que o efeito levará mais tempo para se manifestar.

Müller também vê potencial de crescimento no mercado doméstico brasileiro. Em 2025, as vendas domésticas da Pamplona atingiram R$ 1,27 bilhão, representando 50,3% da receita total. Ele destacou que o consumo per capita de carne suína no Brasil é atualmente de 19 kg, inferior aos 55 kg da Alemanha, indicando enorme potencial de crescimento. Ele acredita que cada aumento de 1 kg no consumo per capita brasileiro gerará uma demanda adicional de aproximadamente 220 mil toneladas de carne suína. Em 2025, as exportações representaram 49,7% da receita operacional total da empresa, totalizando R$ 1,26 bilhão. A empresa exporta para 22 países, sendo a Ásia o principal destino, incluindo China, Japão, Filipinas, Coreia do Sul e Malásia. Müller garantiu que as vendas domésticas manterão uma proporção semelhante às exportações.

Do ponto de vista financeiro, a dívida líquida da empresa caiu 2,3% no ano passado, para R$ 329,6 milhões, com alavancagem de 2,0 vezes o EBITDA. Müller considera a situação financeira da empresa muito confortável. Há dois anos, a empresa emitiu R$ 60 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), subscritos pela Kinea e incorporados à carteira de seu Fiagro KNCA11. Atualmente, a empresa não planeja emitir novamente CRA ou outros instrumentos de dívida, pretendendo continuar financiando a expansão com recursos próprios e linhas de crédito de longo prazo. O lucro líquido de 2025 caiu cerca de 35%, de R$ 85,8 milhões em 2024 para R$ 56,3 milhões. Müller explicou que isso se deve à escolha da empresa de usar recursos próprios para investimentos, evitando contrair dívidas em um período de altas taxas de juros.

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