De acordo com pt.wedoany.com-A Axle Energy, operadora britânica de usinas virtuais (VPP), gerencia mais de 2 gigawatts de capacidade flexível ao agregar mais de 300 mil dispositivos domésticos. Segundo a empresa, a capacidade gerenciada é comparável à produção de uma única usina nuclear.
A construção de infraestrutura energética tradicional exige enormes investimentos de capital e causa impactos ambientais significativos durante as obras. A usina nuclear Hinkley Point C, no Reino Unido, iniciada em 2017, deve custar dezenas de bilhões até sua conclusão prevista para 2030. Segundo a NESO, operadora do sistema energético nacional do Reino Unido, a modernização da rede elétrica pode custar cerca de US$ 119 bilhões. Esses projetos também envolvem uso intensivo de materiais, degradação do solo e anos de atividades construtivas com alta emissão de carbono.

As usinas virtuais (VPP) oferecem uma forma alternativa de gestão que libera recursos já existentes sem a necessidade de novos projetos. O sistema conecta ativos energéticos distribuídos, como carregadores de veículos elétricos, baterias domésticas e painéis solares, por meio de uma plataforma de software, permitindo que esses dispositivos operem de forma coordenada, ajustando em tempo real a carga, descarga ou consumo de acordo com as flutuações da oferta e demanda da rede. A Axle Energy, sediada em Londres, opera uma dessas redes, com 300 mil ativos conectados representando mais de 2 gigawatts de capacidade flexível. Segundo a National Grid do Reino Unido, a demanda média de eletricidade no país no último ano foi de 30,7 gigawatts.
Em períodos de pico de consumo, a VPP pode extrair energia dos dispositivos conectados para equilibrar a demanda, como descarregar baterias domésticas ou ajustar termostatos inteligentes, geralmente sem que o usuário perceba. Os participantes recebem, em média, cerca de £10 (US$ 13,44) por mês. Segundo a empresa, os participantes receberam milhões de libras no total no ano passado. Karl Bach, CEO e cofundador da Axle Energy, afirma que milhões de carregadores de veículos elétricos, baterias domésticas e bombas de calor já possuem capacidade flexível, mas a maior parte está ociosa. As usinas virtuais podem liberar essa capacidade, apoiando a rede nos picos de demanda e reduzindo a dependência do volátil mercado de combustíveis fósseis.
Os benefícios ambientais da tecnologia incluem a prevenção das emissões de carbono associadas à construção de nova infraestrutura, além de reduzir a frequência de acionamento de usinas termelétricas de pico movidas a gás (uma das formas mais intensivas em carbono de geração de eletricidade) ao diminuir a demanda máxima.
A Axle Energy captou US$ 25 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela Energize Capital, com planos de expansão no Reino Unido e em mercados internacionais, além de estabelecer parcerias com montadoras, concessionárias e operadores de frotas. Segundo a Axle, existem cerca de 75 milhões de ativos energéticos elegíveis na Europa e nos Estados Unidos, correspondendo a aproximadamente 375 gigawatts de capacidade potencial. Karl acredita que as usinas virtuais podem disponibilizar capacidade flexível mais rapidamente do que a construção de nova infraestrutura, em semanas em vez de anos, ajudando a lidar com a pressão sobre a rede elétrica decorrente do crescimento da demanda por energia para inteligência artificial.
Tyler Lancaster, sócio da Energize Capital, afirma que a equipe estuda o mercado de VPP há uma década e que a Axle apresenta a visão mais abrangente e o modelo de negócios mais escalável. Zhenya Loginov, sócio da Accel, acredita que a flexibilidade se tornará uma das camadas mais importantes da pilha energética moderna, e a Axle já estabeleceu uma posição de liderança com mais de 300 mil dispositivos conectados e mais de 2 gigawatts de capacidade gerenciada.










