Sterlite, da Índia, recebe pedido de US$ 1,1 bilhão e se beneficia do boom de data centers de IA

2026-08-02 11:00
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De acordo com pt.wedoany.com-Em uma fábrica na cidade ocidental indiana de Mumbai, técnicos trabalham dia e noite transformando vidro em fibras ópticas mais finas que um fio de cabelo, que atenderão a data centers que fornecem poder computacional para o boom global de inteligência artificial. Fabricantes indianos estão fornecendo cabos, sistemas de energia e equipamentos de refrigeração para a construção de infraestrutura de IA e lucrando com isso, apesar das preocupações do mercado sobre o atraso da Índia na corrida pelo desenvolvimento tecnológico.

Analistas da Nomura descrevem o papel dos fabricantes indianos como um típico negócio de "venda de pás" — na corrida do ouro, vender ferramentas é mais lucrativo do que procurar metais preciosos. Ankit Agarwal, diretor-geral da Sterlite Technologies, afirma que atender às maiores empresas de tecnologia do mundo representa uma grande mudança para sua empresa, antes vista principalmente como fornecedora de redes de telecomunicações. "É uma oportunidade única na vida", disse Agarwal em entrevista à Agence France-Presse (AFP). "É um tipo totalmente novo de rede."

A Índia abraça a IA com entusiasmo, mas ainda não produziu modelos globalmente competitivos e depende da importação de semicondutores avançados. Investidores também temem que a IA generativa possa perturbar a indústria de serviços de TI do país, avaliada em US$ 315 bilhões, automatizando tarefas como atendimento ao cliente e manutenção de aplicativos que antes eram terceirizadas para a Índia. Essas preocupações pesam sobre o mercado: o índice de referência Nifty 50 caiu cerca de 7% este ano, e investidores estrangeiros já retiraram mais de US$ 270 bilhões das bolsas indianas.

O boom de data centers trouxe ganhos inesperados para empresas amplamente ignoradas. Prateek Nigudkar, gestor de fundos da Shriram AMC, disse à AFP que a Índia não precisa fabricar chips ou treinar modelos para se beneficiar — todo data center exige equipamentos de manobra, transformadores, cabos, sistemas de refrigeração e conexões à rede elétrica, e os fabricantes indianos já fazem parte dessa cadeia de suprimentos.

Os produtores de cabos de fibra óptica estão entre os maiores beneficiários. A Sterlite anunciou no início deste ano um pedido plurianual de US$ 1,1 bilhão de um provedor de serviços de nuvem em hiperescala dos Estados Unidos, impulsionando suas ações em 400% este ano. A fabricante de equipamentos de telecomunicações HFCL divulgou seu trimestre de abril a junho mais forte da história, com a receita mais que dobrando impulsionada pela demanda de IA. O fundador Mahendra Nahata afirma que a empresa está se esforçando ao máximo para expandir a produção: "No passado, podíamos aumentar a capacidade a cada três ou cinco anos. Hoje, isso se tornou rotina", comparando essa onda de construção a um "tsunami".

Os ganhos não se limitam à fibra óptica. As ações da TD Power Systems subiram 68% devido às expectativas de crescimento da demanda por instalações de IA, enquanto a MTAR Technologies se beneficia da demanda por unidades de energia usadas em sistemas de células de combustível que atendem grandes operadores de tecnologia.

Analistas alertam que as avaliações já estão elevadas, e a oposição a projetos de data centers de alto consumo energético também representa um risco. A Data Center Watch, unidade de monitoramento da empresa de inteligência de IA 10a Labs, afirma que pelo menos 75 projetos nos Estados Unidos, avaliados em cerca de US$ 130 bilhões, foram adiados ou bloqueados no primeiro trimestre de 2026. Executivos indianos reconhecem que esses riscos podem prejudicar o sentimento de curto prazo, mas acreditam que a demanda doméstica acabará compensando a desaceleração no exterior.

A Índia detém quase um quinto dos dados globais, mas representa menos de 5% da capacidade mundial de data centers, com enorme espaço para crescimento. Uma análise da AFP sobre anúncios de financiamento mostra que, no último ano, provedores de nuvem em hiperescala dos EUA se comprometeram a adicionar cerca de US$ 570 bilhões em capacidade na Índia, enquanto conglomerados como Adani Group e Reliance prometeram US$ 100 bilhões em projetos digitais e de infraestrutura. Diferentemente de partes dos EUA e da Europa, o desenvolvimento de data centers na Índia enfrentou até agora resistência limitada.

Sharad Agarwal, CEO da operadora de data centers Sify Infinit Spaces, afirma que a oposição ainda pode estar em estágio muito inicial, e que os operadores já adotaram tecnologias como sistemas de refrigeração de circuito fechado com água para reduzir a pressão sobre os recursos locais. A Sify opera 16 data centers, com quase uma dúzia em desenvolvimento, e está considerando um IPO, que seria o primeiro de uma operadora de data centers listada na Índia. "Estamos falando de investimentos massivos. Se quero ser uma empresa de nível gigawatt, preciso de US$ 5 bilhões", disse Agarwal, referindo-se à capacidade de computação de 1 gigawatt, geralmente chamada de "hiperescala". "Só assim poderemos crescer."

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