ICAC prevê que o comércio global de algodão atingirá 10,3 milhões de toneladas em 2028/29
2026-08-04 13:44
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De acordo com pt.wedoany.com-O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) prevê que o comércio global de algodão crescerá de 9,4 milhões para aproximadamente 10,3 milhões de toneladas entre 2025/26 e 2028/29. Apesar do agravamento dos desafios no lado da oferta e das persistentes incertezas geopolíticas, o ICAC avalia que a interação entre produção, consumo e estoques dominará a trajetória futura do comércio de algodão.

O ICAC estima que a produção global de algodão em 2026/27 cairá 2%, para 25,8 milhões de toneladas, enquanto o consumo permanecerá em torno de 25,5 milhões de toneladas. Com o estreitamento contínuo da lacuna entre oferta e demanda, os estoques dos exportadores se tornarão cada vez mais importantes para atender à demanda internacional.

Parkhi Vats, estatístico-chefe do ICAC e autor do relatório, afirmou: "O comércio global de algodão está entrando em um período em que a restrição da oferta, os níveis de estoque, as decisões políticas e as tendências de consumo desempenham papéis cada vez mais relevantes. Embora os desafios de produção e as incertezas geopolíticas permaneçam significativos, as perspectivas de médio prazo indicam que o comércio continuará crescendo à medida que o mercado reage ao consumo estável e às relações de compra em evolução."

Entre as principais regiões, o Brasil deverá manter em 2025/26 sua posição de maior exportador mundial de algodão em pluma, impulsionado por safras abundantes, preços competitivos e ampliação do acesso ao mercado global. Mesmo com a redução da oferta dos Estados Unidos levando compradores a buscar outras regiões, o Brasil manterá essa posição.

As exportações de algodão dos Estados Unidos recuaram em 2025/26, mas devem se recuperar 3% em 2026/27, beneficiando-se de estoques finais mais elevados e da recuperação gradual do mercado. A China, maior consumidora mundial de algodão, deverá aumentar significativamente suas importações em 2025/26, à medida que sua demanda se recupera da queda anterior. O crescimento contínuo da produção têxtil e de vestuário da China pode impulsionar importações adicionais, contribuindo ainda mais para o comércio global.

Bangladesh continua sendo um dos principais importadores, embora seu consumo e suas importações tenham sido impactados por desafios econômicos e energéticos. O Vietnã tem importância crescente como importador-chave, graças à sua próspera indústria têxtil e ao desenvolvimento de parcerias comerciais. Já o cenário comercial da Índia evolui impulsionado por novas medidas políticas e pelo crescimento do consumo interno.

O ICAC também destacou que mudanças nas políticas tarifárias, novos acordos comerciais, altos custos de energia e interrupções logísticas perto do Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o transporte global de algodão, são os principais fatores de risco que pairam sobre as perspectivas comerciais.

O relatório afirma que, à medida que a produção e o consumo globais se aproximam cada vez mais, qualquer aumento inesperado na demanda pode forçar os grandes exportadores a recorrerem em maior medida aos seus estoques. Esse "equilíbrio apertado" torna a precificação internacional e as decisões estratégicas de compra mais delicadas do que nunca.

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