Brasil realiza primeiro abastecimento de etanol em navio oceânico; potencial de exportação é de R$ 75 bilhões a R$ 150 bilhões

2026-08-05 09:02
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De acordo com pt.wedoany.com-Em julho, CMA CGM, Copersucar, AGEO Terminais, Santos Brasil e Bunker One colaboraram no Brasil para abastecer com etanol um navio porta-contêineres oceânico equipado com motor tri-combustível certificado no país, marcando a primeira operação desse tipo no Brasil. Com isso, o setor brasileiro de etanol passou a enxergar a descarbonização marítima como um novo mercado.

Copersucar e Bunker One abastecem o primeiro navio porta-contêineres transoceânico com etanol (Fonte: imagem promocional da Copersucar)

Estimativas do setor indicam que, caso a Organização Marítima Internacional (IMO) reconheça os biocombustíveis como alternativa aos combustíveis marítimos fósseis, o Brasil poderia obter receitas anuais de exportação de etanol marítimo entre R$ 75 bilhões e R$ 150 bilhões. Gustavo Mariano, vice-presidente comercial da Inpasa, estimou, durante evento realizado em 4 de agosto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização marítima e seus impactos para o setor produtivo, que, após a aprovação do mecanismo de net-zero da IMO, a demanda anual por biocombustíveis de cana-de-açúcar e milho no Brasil tem potencial para atingir 25 bilhões de litros. A Inpasa, que possui capacidade instalada de 6,7 bilhões de litros de etanol por ano, está expandindo sua capacidade de etanol de milho e vê o transporte marítimo como uma nova oportunidade de mercado. A tese defendida pelo setor empresarial e pelo governo brasileiro é que o país pode liderar a descarbonização desse setor, responsável por 3% das emissões globais e por mais de 80% do transporte internacional de cargas, com os biocombustíveis sendo vistos como solução imediata.

Mariano alertou que, para aproveitar a janela de oportunidade, é necessário avançar em pelo menos três frentes regulatórias de forma simultânea. Atualmente, os 176 países-membros da IMO discutem um mecanismo de precificação de carbono e a criação de um fundo para combustíveis sustentáveis; a União Europeia avança com seu próprio mecanismo FuelEU Maritime; e o Brasil já deu os primeiros passos na formulação de sua política para combustíveis marítimos. Há consenso entre governo e agentes de mercado de que os mecanismos precisam ser coordenados para evitar um mosaico regulatório.

No plano internacional, a IMO retomará em dezembro deste ano as negociações adiadas em 2025, com a proposta de aprovar um mecanismo que cobre de US$ 100 a US$ 380 por tonelada de CO2 de grandes embarcações, dependendo da implementação de medidas de eficiência energética e redução de emissões. O mecanismo enfrenta resistência de grandes países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, além da oposição dos Estados Unidos — que, sob o governo de Donald Trump, tem bloqueado acordos climáticos em todos os fóruns internacionais possíveis. Bruno Arruda, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, afirmou que a posição brasileira na IMO é favorável a uma transição gradual, orientação já incorporada à proposta de negociação, sem punir distâncias de navegação nem excluir rotas tecnológicas, como os biocombustíveis.

Maersk e Wartsila também estudam alternativas com etanol marítimo, enquanto os derivados de hidrogênio ainda precisam ganhar escala e preços competitivos. Essas iniciativas, por um lado, ajudam a indústria brasileira a reduzir a resistência europeia aos biocombustíveis e, por outro, evidenciam a questão central do preço. Tomás Manzano, CEO da Copersucar, avalia que um mercado de carbono estável pode, ao precificar as emissões, tornar os biocombustíveis mais competitivos diante da volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis. No âmbito doméstico, o transporte marítimo deve ser incluído na terceira fase do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE); a secretária especial do mercado de carbono, Cristina Reis, afirmou no evento que a regulamentação das obrigações de monitoramento, relato e verificação (MRV) está em fase de consulta pública, e o feedback do setor contribuirá para calibrar a política nacional.

No evento da CNI, o ministro da Defesa, José Múcio, comprometeu-se a interceder junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) em apoio ao aumento temporário do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). Múcio disse aos empresários presentes que dialogará com o ministro do TCU Bruno Dantas, uma vez que a decisão está sendo questionada pelo governo.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou 6.091 projetos para o leilão de baterias, totalizando 296,8 GW de potência. O primeiro leilão será realizado em 2 de dezembro, voltado a sistemas de armazenamento que atendam aos requisitos mínimos de índice de nacionalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); foram registrados 5.296 projetos nessa categoria, com potência total de 261,408 GW. A região Nordeste é o destino preferido dos desenvolvedores de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), concentrando 71% de toda a potência registrada, sendo a líder em geração de energia renovável.

Pesquisa da Amcham Brasil mostra que a expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2050 e criar 750 mil novos empregos.

Para apoiar o acordo Mercosul-União Europeia, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou, em 3 de agosto, uma consulta pública para auxiliar na elaboração da lista de produtos sustentáveis do Mercosul. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro. A lista visa identificar produtos que contribuam para a proteção e restauração de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

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