Os promotores brasileiros apresentaram uma ação judicial em 3 de junho de 2025 para cancelar uma iniciativa de compensação de carbono no valor de US$ 180 milhões, que tinha como objetivo preservar a floresta amazônica no estado do Pará. O acordo, assinado em 2024, envolve o estado do Pará e um grupo de empresas internacionais e governos por meio da LEAF Coalition, um esforço de conservação florestal estabelecido em 2021.
A contestação jurídica visa o plano do estado de vender créditos de carbono, que representam o carbono armazenado em árvores protegidas da desflorestação. Os promotores afirmam que o governo do Pará não consultou adequadamente as comunidades locais, incluindo grupos indígenas e tradicionais, antes de finalizar o acordo. Eles também argumentam que a lei brasileira proíbe a pré-venda de créditos de carbono, gerando preocupações sobre o cumprimento do projeto com as regulamentações nacionais.

O Pará, que vai sediar a COP30, a cúpula climática, em Belém em novembro de 2025, administra uma parte significativa da Amazônia, uma floresta tropical crítica para o mundo. O projeto de compensação de carbono, descrito como jurisdicional por abranger todo um estado, tinha como objetivo vender até 12 milhões de créditos a US$ 15 cada. Essa abordagem pretendia melhorar a transparência na contabilidade de créditos de carbono em relação a projetos menores e privados.
A ação judicial representa desafios para o governo do Pará e para o setor de créditos de carbono, que já enfrentou escrutínio devido a problemas anteriores. As empresas envolvidas, incluindo a Amazon.com Inc. e pelo menos cinco outras, concordaram em comprar créditos por meio da LEAF Coalition, co-fundada pela Amazon com o apoio de nações como os Estados Unidos e o Reino Unido. Nem o governo do Pará nem a Emergent, a organização sem fins lucrativos que coordena a LEAF Coalition, responderam a pedidos de comentários.
Os promotores observaram: "O estado pretendia aprovar seu plano de créditos de carbono antes da COP30, o que gerou uma considerável pressão sobre os povos indígenas e as comunidades tradicionais no Pará". O resultado dessa ação legal pode afetar as preparações para a próxima cúpula climática e o esforço mais amplo de conservar a Amazônia por meio de iniciativas de compensação de carbono.









