A China, principal importadora de soja do mundo, registrou um recorde histórico de 13,92 milhões de toneladas métricas de importações de soja em maio de 2025, de acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas. Isso representou um aumento significativo, mais do que dobrando o volume de abril, que já havia registrado um aumento de 73% em relação ao mês anterior. O aumento foi impulsionado pela maior demanda e compras estratégicas, principalmente do Brasil, para garantir o abastecimento em meio às incertezas do mercado global.
Os processadores chineses aceleraram as compras de soja sul-americana, especialmente do Brasil, para garantir acesso a culturas com custo competitivo. No início de abril, os compradores garantiram pelo menos 40 cargas do Brasil em uma única semana, refletindo esforços proativos para construir estoques. Essa rápida aquisição foi estimulada pelas preocupações com possíveis interrupções no abastecimento, pois os preços globais da soja estavam sob pressão ascendente. O Brasil, que se beneficiou de uma safra recorde, forneceu a maioria dessas importações, aproveitando as condições climáticas favoráveis e os preços competitivos.

Lin Guofa, analista sênior do Grupo Bric Agriculture, afirmou: "As preocupações com possíveis tensões comerciais, especialmente após a reeleição de Trump, levaram a um aumento nas compras de soja no quarto trimestre de 2024, com as remessas chegando no final de 2024 e no primeiro trimestre de 2025". A ênfase nas soja brasileira foi ainda mais reforçada pelo seu custo mais baixo, com preço de aproximadamente US$ 420 por tonelada para as remessas de fevereiro, em comparação com US$ 451 por tonelada para as soja dos Estados Unidos da região do Noroeste do Pacífico.
As importações recorde estão alinhadas com a forte demanda da China por soja, impulsionada pela necessidade de ração para o gado e óleos comestíveis para sustentar o consumo crescente de proteínas. Apesar dos esforços para reduzir a dependência de importações por meio da produção doméstica, que chegou a 21 milhões de toneladas em 2024, a China continua dependendo fortemente de suprimentos estrangeiros, sendo que as importações representam cerca de 84% de suas necessidades de soja. O aumento registrado em maio ajudou a aliviar a escassez de abastecimento que havia forçado alguns processadores a interromper as operações no início do ano devido a atrasos nas remessas do Brasil.
As futuras da soja subiram em 9 de junho de 2025, refletindo a menor disponibilidade global e a atividade de compra sustentada. As importações estratégicas da China enfatizam seu papel crítico nos mercados agrícolas globais, apoiando a posição do Brasil como um importante fornecedor enquanto lida com as incertezas na dinâmica do comércio internacional.









