A empresa francesa Orano afirmou que, após o Conselho de Ministros do Níger anunciar planos de confiscar e nacionalizar as empresas conjuntas com a empresa estatal nigeriana de ativos minerais, o processo judicial é o único meio possível atualmente.
No dia 19 de junho de 2025, o governo do Níger, em um comunicado oficial após a reunião do Conselho de Ministros, anunciou a intenção de retomar a mina de Somaïr. A mina de Somaïr é uma empresa conjunta detida coletivamente pela Orano e pela Sopamin desde 1968, sendo que a Sopamin detém ações da empresa mineira em nome do governo do Níger.

Embora a Orano tenha se esforçado repetidamente para dialogar e cooperar, essa ação de expropriação faz parte da estratégia contínua do governo militar do Níger de expulsar a Orano do país após o seu acesso ao poder em 2023.
A Orano condenou veementemente essa ação sistemática que visa privar o grupo de seus ativos minerais, considerando-a uma clara violação do acordo firmado entre o grupo e o governo do Níger em relação à mina de Somaïr, além de refletir uma ampla tentativa de difundir informações falsas e prejudicar a reputação da Orano.
A empresa Somaïr (Société des Mines de l'Aïr) tem 63,4% de suas ações detidas pela Orano e 36,6% detidas pela Sopamin, sendo que esta última é a operadora da única mina de urânio de Arlit em funcionamento no Níger atualmente. Em dezembro de 2024, a Orano informou que havia perdido o controle de três de suas subsidiárias no Níger - Somaïr, Cominak e Imouraren - devido a ações ilegais representadas pelo governo do Níger.
A empresa mineira Orano já apresentou vários processos de arbitragem internacional contra o Níger. Em dezembro do ano passado, a empresa ajuizou um processo por causa da revogação, pelo governo do Níger, da licença de mineração da mina de Imouraren; em janeiro deste ano, após perder o controle operacional da mina de Somaïr, a empresa apresentou uma segunda arbitragem para defender seus direitos; em maio deste ano, depois que as autoridades de segurança do Níger fizeram um incursão em seu escritório localizado na capital, Niamey, e prenderam o responsável da filial da Orano no Níger, a empresa iniciou um procedimento judicial.
A empresa afirmou que, depois de muitas tentativas de negociação amistosa sem sucesso, o processo judicial se tornou a última opção. A Orano planeja buscar uma indemnização integral pelos prejuízos sofridos e defender seus direitos sobre as estoques produzidos até agora pela Somaïr. De acordo com a Agência France-Presse, o governo do Níger acusa a Orano de possuir uma "cota excessiva" da produção da mina de urânio de Somaïr.









