Gigantes do setor químico, como Nordic Chemicals, Dow e Nestlé (em projeto conjunto com a belga Ravago), decidiram abandonar os planos de construção de grandes fábricas de reciclagem de plásticos na Europa, medida que agrava ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo setor europeu de reciclagem de plásticos.
A Nordic Chemicals suspendeu o plano de abrir em Schwechat, Áustria, uma fábrica de reciclagem mecânica de poliolefinas com capacidade anual de 60 mil toneladas. A fábrica estava programada para entrar em operação até o final do ano, mas uma avaliação detalhada mostrou que, no ambiente atual do mercado, a planta não alcançaria os objetivos de desempenho previstos.
A Dow também desistiu de construir em Böhlen, Alemanha, uma fábrica de reciclagem química de resíduos plásticos mistos com capacidade anual de 120 mil toneladas, que originalmente utilizaria a tecnologia Hydro-PRT da Mura Technology. Anteriormente, em julho, a Dow Chemical havia decidido fechar permanentemente em 2027 sua unidade de craqueamento de etileno e instalações petroquímicas relacionadas em Böhlen. O material destinado à fábrica de reciclagem de plásticos seria usado como matéria-prima nessa unidade, cujo fechamento se deve aos altos custos operacionais na Europa.
Além disso, a Nestlé e o fornecedor belga de plásticos Ravago Manufacturing também suspenderam planos de construção e operação conjunta na cidade de Vlissingen, Países Baixos, de uma fábrica de reciclagem química de plásticos com capacidade anual de 55 mil toneladas, que originalmente utilizaria a tecnologia de pirólise desenvolvida pela americana Alterra Energy.
A Associação Europeia de Reciclagem de Plásticos tem alertado há mais de um ano sobre a concorrência desigual enfrentada pelos recicladores de plásticos na Europa. A associação apontou que o grande volume de plásticos virgens baratos reduz os preços dos materiais reciclados, a demanda por reciclados é fraca e a concorrência de países terceiros, incluindo a China, está aumentando, fazendo com que o setor enfrente uma crise cada vez mais profunda, exigindo ações políticas.
Segundo informações, a Europa produz anualmente mais de 20 milhões de toneladas de etileno, matéria-prima essencial para polímeros, e recicla cerca de 10 milhões de toneladas de plástico por ano. Dados da associação de reciclagem EuRIC mostram que, em comparação com a produção de plástico virgem a partir do petróleo, a reciclagem mecânica reduz cerca de 2,5 toneladas de emissões de CO₂ por tonelada de plástico produzida. No entanto, apesar das vantagens ambientais significativas, o setor europeu de reciclagem de plásticos ainda enfrenta enormes desafios no ambiente de mercado atual.









