Com o aumento da demanda global por energia e a crescente pressão das mudanças climáticas, a energia geotérmica, graças à sua estabilidade e baixas emissões, está se tornando uma opção-chave para a transição energética. Diferente da energia solar ou eólica, que são intermitentes, a geotermia aproveita o calor interno da Terra para gerar eletricidade ou aquecimento continuamente, sem depender do clima, e com emissões de carbono extremamente baixas ao longo de todo o ciclo de vida. Nos últimos anos, inovações tecnológicas que permitem o aproveitamento de poços de petróleo e gás abandonados para desenvolvimento geotérmico impulsionaram ainda mais a comercialização desse setor.
O investimento em energia geotérmica na América do Norte tem crescido significativamente. De acordo com a consultoria Wood Mackenzie, no primeiro trimestre de 2025, os projetos geotérmicos na região atraíram US$ 1,7 bilhão em fundos públicos, superando significativamente o total de US$ 2 bilhões registrado em todo o ano de 2024. A avaliação do Serviço Geológico dos EUA em maio de 2025 indicou que apenas a região do Grande Bacia (cobrindo Nevada e estados vizinhos) possui potencial geotérmico capaz de atender a 10% da demanda elétrica nacional, podendo esse percentual aumentar com avanços tecnológicos. A Agência Internacional de Energia prevê que, até 2050, a geotermia poderá suprir 15% da eletricidade global.
Os modelos de desenvolvimento geotérmico apresentam diversidade. Sistemas hidrotermais utilizam águas quentes e vapor natural em regiões geologicamente ativas; Califórnia e Nevada (EUA), assim como Islândia e Filipinas, já possuem indústrias maduras, enquanto a usina geotérmica de Larderello, na Itália, opera há mais de um século. Sistemas geotérmicos aprimorados (EGS) injetam água artificialmente para fraturar rochas quentes, criando condições de geração elétrica em regiões com geologia desfavorável. O projeto Cape Station da Fervo Energy, em Utah, é um exemplo típico: utiliza poços de petróleo abandonados em sistema fechado de circulação de fluido para capturar calor e, após conclusão prevista em 2028, fornecerá 500 MW de eletricidade, 25% acima da meta inicial. Além disso, bombas de calor geotérmicas subterrâneas trocam calor com camadas rasas do solo (1,8 a 2,4 m), fornecendo aquecimento e resfriamento eficientes para residências e edifícios comerciais, com custos inferiores às bombas de calor ar-solo, expandindo seu uso.
O avanço tecnológico e a redução de custos são fatores centrais para a competitividade econômica da geotermia. A Agência Internacional de Energia projeta que, até 2035, o custo de geração de sistemas EGS poderá cair para US$ 50 por MWh, equivalente ao da energia eólica e solar. Atualmente, os EUA possuem cerca de 3,9 GW de capacidade instalada geotérmica, concentrada principalmente na costa oeste, mas a adaptação de poços de petróleo e gás abandonados pode ampliar significativamente a distribuição de recursos. O condado de Beaver, em Utah, demonstra o potencial da transformação de “poços de petróleo em poços quentes”, gerando empregos locais e fornecendo energia limpa para a Califórnia. Estima-se que, entre os 4 milhões de poços abandonados nos EUA, parte deles é adequada para desenvolvimento geotérmico, evitando os altos custos e impactos ambientais de novas perfurações.
Apesar de desafios como altos custos de perfuração, limitações geológicas e emissões de sulfeto de hidrogênio, a confiabilidade e baixas emissões da geotermia fazem dela um complemento importante à energia solar e eólica. Com avanços tecnológicos e apoio político, a geotermia tende a desempenhar um papel cada vez mais central na matriz energética global de baixo carbono.














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