Uma equipa de investigação da Universidade de Princeton divulgou recentemente um relatório que aponta para lacunas significativas nos relatórios globais de emissões de águas residuais, indicando que as emissões de metano e óxido nitroso provenientes de águas residuais nos inventários climáticos nacionais estão subestimadas entre 19% e 27%. Esta descoberta baseia-se numa análise de 38 países de cinco continentes. Nos países analisados, a discrepância equivale a 52 a 73 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente por ano. Se extrapolada globalmente, poderia atingir 94 a 150 milhões de toneladas métricas anuais, levantando preocupações sobre a precisão das linhas de base de emissões nas políticas climáticas internacionais.

O Professor Zhiqiang Ren, de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Princeton, afirmou: "Os sistemas de águas residuais são infraestruturas críticas, mas o seu impacto climático ainda não está totalmente refletido em muitos inventários nacionais. Uma contabilização precisa é a base para um planeamento credível de redução de emissões." Ele instou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e os decisores políticos a abordarem estas discrepâncias, promovendo a adoção de padrões de emissão de águas residuais mais precisos pelos países.
A análise revela que a subnotificação é sistémica, resultando de fatores como a omissão de sistemas descentralizados (como fossas sépticas e latrinas) em muitos inventários nacionais, limitações na contabilização de emissões e libertações não tratadas, e a dependência de fatores de emissão desatualizados. Devido a dados de monitorização limitados, as redes de esgotos e os percursos de gestão de lamas também são frequentemente excluídos. Estudos recentes indicam que as emissões de águas residuais são mais elevadas e variáveis do que o assumido pelas diretrizes anteriores.
Os investigadores enfatizam que os sistemas de águas residuais oferecem oportunidades significativas de mitigação, uma vez que historicamente receberam menos atenção do que setores como os transportes e a geração de energia. As infraestruturas de águas residuais operam frequentemente durante décadas, e as consequências das escolhas tecnológicas nas emissões podem persistir por gerações. Zhiqiang Ren disse: "Uma estação de tratamento municipal construída hoje pode ainda estar em funcionamento no final do século. Se a contabilização não for precisa, torna-se mais difícil tomar decisões corretas sobre tecnologia e investimento, decisões essas que afetarão as emissões nas próximas décadas."
Os inventários nacionais são a base dos compromissos climáticos. Uma contabilização incompleta das águas residuais pode distorcer as linhas de base de emissões, afetar o planeamento de redução e ocultar oportunidades de mitigação com boa relação custo-benefício. Zhiqiang Ren acrescentou: "À medida que as emissões relacionadas com a energia diminuem, o metano e o óxido nitroso gerados durante o tratamento representarão uma parcela maior da pegada climática das águas residuais. Inventários precisos são cruciais para garantir que as estratégias de descarbonização reflitam as emissões reais do setor." Para resolver estas lacunas, o estudo recomenda que os países ampliem a cobertura dos inventários, utilizem os fatores de emissão mais recentes, melhorem a recolha de dados e a transparência, e incorporem emissões precisas de águas residuais nos planos nacionais de redução.









