De acordo com pt.wedoany.com-A colheita do milho safrinha em Mato Grosso está avançando, mas a queda dos preços à vista e o aumento do frete, impulsionado pela alta do diesel, fazem com que a diferença entre o preço na fazenda e o preço no porto se aproxime de 10 reais por saca.

Mato Grosso, o maior estado produtor de milho do Brasil, vive o paradoxo de mercado típico de um ano de safra recorde. A colheita do milho safrinha avança bem, com produtividade acima da média, confirmando as previsões de uma produção recorde. No entanto, os preços à vista caem semana após semana, e o aumento do preço do diesel eleva ainda mais os fretes, corroendo a rentabilidade dos produtores. Dados recentes do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da StoneX refletem esse cenário. As vendas no estado já ultrapassaram 40%, mas muitos produtores optam por armazenar o grão, aguardando uma recuperação dos preços.
A StoneX elevou suas estimativas para o milho safrinha brasileiro, impulsionada principalmente pelo desempenho de Mato Grosso. Embora Goiás enfrente queda de produtividade devido à falta de água em algumas regiões, a distribuição uniforme de chuvas durante o ciclo nas regiões Oeste e Centro-Norte de Mato Grosso deve representar mais de 50% da produção total de milho safrinha do país. O relatório mais recente da Conab mostra uma produção total de grãos de 358 milhões de toneladas, com o milho safrinha atingindo um novo recorde.
O indicador do milho calculado pelo Cepea continua em queda. O preço de referência no mercado à vista está atualmente em torno de 65 reais por saca no balcão, mas os preços reais recebidos pelos produtores em Mato Grosso são ainda mais baixos. Segundo cálculos do IMEA, o preço de negociação para entrega imediata no interior do estado é de cerca de 42 reais por saca. Na Bolsa de Mercadorias (B3), os contratos futuros de milho caíram recentemente, acompanhando o movimento da Chicago Board of Trade (CBOT/CME). O contrato de julho de 2026 recuou, refletindo as expectativas de oferta global abundante, com grandes safras também nos Estados Unidos, Argentina e Ucrânia.
As vendas da safra 2025/26 de Mato Grosso superam 40% da produção estimada, mas, em relação ao volume já colhido, esse ritmo ainda é lento. Observando os preços à vista, a maioria dos produtores opta por esperar. Os armazéns estão cheios, mas os preços de mercado não cobrem os custos operacionais somados ao frete. Muitos agricultores esperam que a futura demanda de exportação eleve os preços, mas os altos estoques internacionais de passagem e a volatilidade cambial tornam essa aposta mais arriscada.
O acúmulo de alta de mais de 30% no preço do diesel impacta diretamente o frete rodoviário. O milho de Mato Grosso depende de transporte de longa distância até os portos do Arco Norte e do Sudeste. O aumento do custo do diesel se traduz diretamente em perda de lucro na fazenda. O custo do transporte de uma carga de milho da região Centro-Norte até o Porto de Santos pode ultrapassar 300 reais por tonelada em algumas rotas. Quando o grão percorre mil quilômetros ou mais, o frete consome de 30% a 40% do valor final da saca.
Dados do IMEA mostram que o preço de negociação do milho à vista no estado é de 42,29 reais por saca, enquanto a paridade de exportação é de 32,70 reais por saca, uma diferença de 9,59 reais. Esse spread reflete o custo de oportunidade e as despesas logísticas, separando a renda do produtor na fazenda do valor teórico no porto. Em seu estudo de logística de grãos, a Conab aponta que, apesar dos avanços nos terminais portuários do Norte, a dependência do transporte rodoviário e a concentração das exportações em poucos corredores logísticos mantêm os fretes elevados. O período de exportação do milho safrinha de Mato Grosso coincide exatamente com o período de escoamento da soja, e as duas culturas competem pelo frete na mesma janela de tempo, elevando ainda mais as taxas.
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