Câmara dos Deputados do Brasil aprova Plano de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes Profert
2026-06-03 17:16
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De acordo com pt.wedoany.com-A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o Plano de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que visa enfrentar a dependência estrutural da agricultura nacional em relação à importação de fertilizantes, mas especialistas do setor ainda têm dúvidas se as medidas poderão se converter em uma estratégia de produção de longo prazo.

Representantes do setor de fertilizantes avaliaram positivamente o plano, considerando seu diagnóstico preciso: a segurança do abastecimento de fertilizantes de um dos maiores exportadores mundiais de alimentos não deve ficar excessivamente sujeita a flutuações do mercado internacional ou eventos geopolíticos. No entanto, avaliações do setor apontam que o tema geralmente só ganha atenção em momentos de crise. O Plano Nacional de Fertilizantes foi lançado em 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia impactou o comércio global de matérias-primas; atualmente, com a pressão sobre os preços internacionais das matérias-primas e a tensão no Oriente Médio, o debate retorna ao centro da agenda política. Especialistas do setor acreditam que esse fenômeno recorrente indica que a discussão sobre a soberania produtiva ainda está fortemente ligada a choques internacionais, e não necessariamente incorporada ao planejamento industrial de longo prazo do país.

Enquanto o Profert avança, os custos de produção domésticos continuam elevados. Segundo representantes da cadeia produtiva de fertilizantes, a indústria brasileira já enfrenta uma estrutura de custos superior à de alguns mercados internacionais e agora sofre pressão adicional com o aumento do preço do enxofre. O enxofre é um insumo-chave na produção de fertilizantes fosfatados, e seu preço internacional já ultrapassou US$ 1.250 por tonelada, atingindo níveis históricos. A meta de mistura obrigatória de fertilizantes nacionais ganha impulso justamente no momento em que os custos das matérias-primas tornam a produção local economicamente inviável.

Especialistas do setor consideram que a manutenção da produção doméstica não afeta apenas as empresas de fertilizantes, mas também outros elos da cadeia agrícola. Em um ambiente de custos elevados, altas taxas de juros e desafios financeiros para os produtores rurais, o abastecimento de fertilizantes tornou-se um fator importante. A principal dúvida é se o Profert conseguirá gerar efeitos estruturais proporcionais aos seus objetivos. A construção de novas instalações industriais, a expansão da capacidade produtiva e a atração de investimentos exigem ciclos de planejamento de vários anos, enquanto os incentivos emergenciais geralmente atendem a demandas de curto prazo e têm validade limitada.

O Projeto de Lei nº 699/23, aprovado pela Câmara, prevê créditos tributários, linhas de financiamento, apoio à modernização e expansão de fábricas para empresas certificadas, além da criação de um fundo específico para o desenvolvimento da indústria de fertilizantes. O projeto estabelece metas progressivas de mistura mínima de fertilizantes nacionais: 2% a partir de 2027, chegando a 10% em 2037, podendo ser aumentadas futuramente conforme a capacidade produtiva doméstica. Além dos fertilizantes minerais tradicionais, a proposta também abrange incentivos para bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores, visando ampliar a participação da indústria nacional na cadeia de suprimentos agrícola.

O texto foi inserido em um debate mais amplo em Brasília sobre o impacto fiscal de medidas agrícolas. O governo federal está coordenando uma ofensiva para tentar limitar o impacto orçamentário de propostas do Congresso, que incluem a renegociação de dívidas rurais, a ampliação de recursos para o seguro agrícola, o Profert e modificações em projetos relacionados a benefícios fiscais. Esse contexto faz com que o Profert seja analisado sob múltiplas perspectivas: industrial, produtiva, política e fiscal. O plano agora retorna ao Senado, que precisará analisar as alterações feitas pela Câmara para concluir a tramitação.

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