CADE do Brasil analisa aquisição de US$ 600 milhões da EMS sobre negócio de genéricos da Sanofi
2026-06-09 15:05
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De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Brasil iniciou o processo de análise da aquisição do negócio de medicamentos genéricos da francesa Sanofi no Brasil pela farmacêutica EMS. A transação, anunciada no início de março pela empresa controlada pela família Sanchez, envolve cerca de US$ 600 milhões e será formalmente executada pela Novamed, do grupo NC. O aviso de início da análise foi publicado no Diário Oficial da União em 1º de junho, assinado pelo superintendente-adjunto Felipe Neiva.

Justificativa da EMS para solicitar aprovação da aquisição da Medley ao CADE

De acordo com o documento de 126 páginas apresentado ao Cade, a fusão resultará em sobreposição de produtos em cerca de 40 categorias terapêuticas. A EMS afirma no documento que, devido à alta fragmentação do mercado brasileiro de genéricos, essa sobreposição não causará concentração excessiva. Dada a complexidade da operação, a EMS e a Sanofi optaram pelo rito ordinário de análise, com prazo de 240 dias. A adquirente ressalta que, mesmo que a empresa tenha capacidade de aumentar preços após a conclusão do negócio, não poderá fazê-lo arbitrariamente, pois o mercado é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O documento enfatiza que a CMED possui mecanismos para coibir abusos de poder de mercado, limitando aumentos arbitrários de preços.

Nas áreas de produtos genéricos comuns entre a EMS e a Medley, o documento lista as categorias mais relevantes, incluindo cardiovascular, diabetes, gastrointestinal, dermatologia, ginecologia, urologia, antibióticos, psiquiatria e neurologia. Para alguns segmentos de mercado onde a participação combinada pode ultrapassar 40%, como no caso da hidroxicloroquina – medicamento que foi incluído por alguns médicos em protocolos de "tratamento precoce" durante a pandemia de Covid-19, sem nunca ter sido comprovado cientificamente –, a EMS explica que, considerando as alternativas terapêuticas disponíveis, a concorrência real no mercado ainda é significativa. Outro exemplo é a naratriptana, usada para tratar enxaqueca; a EMS considera que existem diversas opções de tratamento para essa doença, envolvendo diferentes classes terapêuticas, dependendo da prescrição médica. Dos 27 mercados sobrepostos no canal varejo e 14 no canal institucional, a empresa informa que 19 deles estão abaixo de 40%.

A transação também incluirá a fábrica localizada em Campinas, São Paulo, composta por dois imóveis, além dos direitos de propriedade intelectual e marcas dos produtos da Medley. A EMS também assumirá os contratos de distribuição da Medley operados por terceiros nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A EMS afirma que a operação representa uma oportunidade para o grupo NC expandir sua oferta de genéricos, enquanto a Sanofi acelera seu foco em produtos inovadores para um crescimento sustentável. Para demonstrar que a mudança de controle não alterará o cenário competitivo, a EMS cita investimentos recentes de grande porte de concorrentes: a Cimed investiu R$ 450 milhões na construção de uma fábrica em Poços de Caldas, Minas Gerais; a Eurofarma também está construindo um novo complexo industrial em Minas Gerais, com investimento de R$ 2 bilhões; a Hypera investiu R$ 363 milhões na construção de uma fábrica de medicamentos oncológicos; além de outros ciclos de investimento.

No documento de solicitação, a EMS lista pelo menos 30 grandes grupos farmacêuticos ativos no mercado brasileiro de genéricos, incluindo Eurofarma, Aché, Hypera Pharma, Prati-Donaduzzi, Teuto, Cimed, Geolab, União Química, Biolab, Vitamedic, entre outros. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) mostram que o país, como o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, registrou receita de R$ 23 bilhões no setor de genéricos em 2025, um crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior, e um aumento de 75% nas vendas nos últimos cinco anos. Atualmente, os genéricos representam 40% do total de vendas no Brasil, com um desconto médio de 70%. Existem 102 laboratórios produzindo 4.665 formas farmacêuticas registradas na Anvisa, com vendas anuais superiores a 2,5 bilhões de unidades.

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