De acordo com pt.wedoany.com-O Grupo Dux lançou recentemente a solução verde Amonix, destinada a reduzir as emissões de amônia na avicultura e melhorar o desempenho produtivo de frangos de corte. Com base em dados de testes realizados no Brasil e no Peru, a empresa afirma que o uso do produto proporciona um ganho de peso de 50 a 70 gramas por frango (média de 60 gramas). Considerando o abate anual de aproximadamente 7 bilhões de frangos no Brasil, essa capacidade produtiva poderia gerar 420 mil toneladas adicionais de carne de frango por ano, agregando até 2 bilhões de reais ao setor.

A empresa, especializada em soluções de química verde para controle de gases tóxicos e odores industriais, listou a avicultura como uma de suas principais áreas de crescimento futuro. O CEO do Grupo Dux, Marcelo Spaziani, chama a amônia de "inimigo invisível" dos aviários, destacando que o gás está presente nos galpões, mas os produtores muitas vezes só percebem as perdas ao final do lote ou quando a mortalidade aumenta.
A empresa já atua na cadeia produtiva de proteína animal, com seus produtos aplicados em diversos frigoríficos e fábricas de ração da JBS, MBRF e Aurora. Quanto ao problema da amônia, resíduos de ração, água gotejada dos bebedouros, fezes e urina se combinam na cama dos aviários, criando um ambiente propício para a formação do gás. Altas concentrações de amônia prejudicam o sistema respiratório dos animais, reduzem o consumo de ração e água, afetam o sistema imunológico e dificultam o ganho de peso. Segundo estudos internos da empresa, concentrações de amônia acima de 25 partes por milhão (ppm) já causam perdas produtivas, e em alguns sistemas de criação, níveis acima de 50 ppm podem reduzir o desempenho das aves em 9%.
A ideia de desenvolver um controlador de amônia surgiu há cerca de oito anos. Na época, o sócio da empresa, Márcio Del Col, testemunhou um vazamento de amônia durante uma visita a um cliente frigorífico, acidente que levou à evacuação da fábrica e a uma longa paralisação. Del Col afirma que, na época, não existia uma solução biodegradável e atóxica para neutralizar a amônia, o que se tornou o ponto de partida para o trabalho de pesquisa e desenvolvimento. O resultado foi uma tecnologia patenteada, inicialmente aplicada em ambientes de refrigeração industrial. Posteriormente, clientes do setor avícola buscaram soluções para o interior dos galpões, levando a empresa a desenvolver versões em pó e granulado, que os avicultores espalham sobre a cama dos aviários, prevenindo a formação e volatilização da amônia antes que ela se acumule.
Os primeiros testes comerciais foram realizados em duas empresas brasileiras e uma peruana. Além do ganho de peso observado, houve redução nos níveis de amônia e melhora nas condições ambientais dos galpões. Altas concentrações de amônia também estão associadas à dermatite podal, uma lesão que afeta os pés das aves e é um dos principais indicadores de qualidade monitorados pelos mercados importadores. Esse problema é particularmente relevante para os exportadores brasileiros, já que a China exige rigorosos padrões de qualidade para carcaças e pés de frango.
A Dux planeja integrar o Amonix a sistemas de monitoramento ambiental, acompanhando em tempo real indicadores como concentração de amônia, temperatura, umidade e pressão. A solução já iniciou testes de campo, e uma das empresas participantes da primeira rodada de validação decidiu iniciar uma nova fase de monitoramento em seis galpões. A operação pertence a um grupo que produz cerca de 50 milhões de frangos de corte por ano e possui aproximadamente 800 galpões. A empresa estima que o cronograma completo de implantação pode levar de um ano a um ano e meio.
Após o lançamento da tecnologia na última edição da feira Fenagra, a Dux já recebeu manifestações de interesse de outras empresas do setor. Os clientes da empresa abrangem áreas como agricultura, saneamento, celulose e papel, mineração, petroquímica e aterros sanitários. No ano passado, a Dux faturou 11,5 milhões de reais, um crescimento de 14% em relação a 2024, e impulsionada pelo negócio de controle de amônia, a empresa prevê um crescimento superior a 70% este ano.
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