Itália e outros 17 países aderem ao GUIDE para proteger infraestruturas submarinas
2026-06-09 17:48
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De acordo com pt.wedoany.com-Cingapura propôs e lançou o GUIDE (Princípios Orientadores para a Defesa de Infraestruturas Submarinas) durante a 23ª edição do Diálogo de Shangri-La, uma nova estrutura que visa ser o primeiro mecanismo de cooperação inter-regional dedicado exclusivamente à proteção de infraestruturas submarinas críticas. Líderes de mais de quarenta países participaram do mais importante fórum de segurança internacional da Ásia, com os Estados Unidos representados pelo Secretário da Guerra, Pete Hegseth.

As infraestruturas submarinas estão a tornar-se um dos pilares invisíveis da segurança nacional, do crescimento económico e da competitividade industrial. O leito marinho suporta mais de 95% do tráfego internacional de dados e das conexões energéticas marítimas, tornando-se uma dimensão estratégica da competição geopolítica global. O acordo GUIDE visa responder às crescentes preocupações decorrentes de incidentes envolvendo cabos de telecomunicações submarinos, dutos de energia e outras infraestruturas estratégicas nos últimos anos.

O GUIDE não é um tratado vinculativo nem impõe obrigações financeiras aos seus membros. O seu objetivo é estabelecer uma plataforma de cooperação permanente que promova a troca de informações, melhores práticas, conhecimentos técnicos e procedimentos operacionais entre as instituições de defesa dos países, além de melhorar a capacidade de alerta precoce, aprofundar a compreensão comum das ameaças e, quando necessário, coordenar a resposta a incidentes e crises. O Ministro da Defesa de Cingapura, Chan Chun Sing, enfatizou que a comunidade internacional ainda precisa desenvolver normas comuns, não apenas para a instalação de infraestruturas submarinas, mas, mais importante, para a sua manutenção e prevenção de possíveis interferências e danos.

Dezassete países já aderiram a esta estrutura, distribuídos pela Europa, Ásia-Pacífico e região do Golfo Pérsico. Os países europeus incluem: Itália, França, Reino Unido, Países Baixos, Finlândia, Suécia, Estónia, Letónia e Lituânia. Os países da Ásia-Pacífico e Médio Oriente incluem: Cingapura, Austrália, Nova Zelândia, Malásia, Tailândia, Filipinas, Brunei e Catar. A composição dos membros revela uma forte presença europeia, especialmente dos países nórdicos e bálticos. A participação do Catar também é digna de nota, dada a situação no Golfo e no Estreito de Ormuz, onde estas infraestruturas se tornam alvos militares.

Para a Itália, a participação no GUIDE tem um significado estratégico especial. O Mar Mediterrâneo é um dos principais centros de tráfego global de dados e de conexões energéticas que ligam a Europa, África e Ásia, com muitos cabos internacionais a atravessar o leito marinho italiano, tornando o país um hub natural para as comunicações digitais globais. O Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou durante o Diálogo de Shangri-La que a Itália e Cingapura confirmaram a vontade de fortalecer ainda mais a cooperação bilateral em defesa, com especial atenção à proteção das infraestruturas submarinas críticas, cada vez mais estratégicas para a transmissão de energia e dados. Ele mencionou a necessidade de reforçar o quadro regulatório internacional e desenvolver capacidades adequadas de vigilância, monitorização e intervenção para prevenir e gerir quaisquer ameaças ou incidentes.

No plano geopolítico, a característica mais marcante do GUIDE é a ausência simultânea dos Estados Unidos, China e Rússia. A ausência das duas maiores potências globais e de Moscovo destaca a vontade de um grupo de potências médias em formas autónomas de cooperação, que veem esta questão como demasiado importante para ficar refém da competição entre Washington e Pequim. O GUIDE reflete uma tendência crescente na governança internacional: o surgimento de alianças funcionais e temáticas que transcendem os blocos tradicionais entre países com interesses estratégicos comuns.

O valor estratégico do GUIDE reside principalmente na sua função de laboratório normativo. O acordo não introduz novas obrigações legais nem altera o quadro estabelecido pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), mas cria um espaço de cooperação que pode ajudar a definir futuras práticas internacionais para a proteção de infraestruturas submarinas. Para a Itália e os outros signatários, o desafio é transformar o diálogo político em ferramentas concretas de prevenção, monitorização e resposta a ameaças. A segurança do leito marinho está a tornar-se uma das dimensões cruciais da segurança no século XXI, e o GUIDE é uma das primeiras tentativas de construir uma resposta coletiva a esta nova realidade estratégica.

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