De acordo com pt.wedoany.com-A fábrica Pujol i Bausis, localizada em Esplugues de Llobregat, na Espanha, foi um fornecedor essencial de peças cerâmicas para várias obras de Antoni Gaudí. Conhecida popularmente como La Rajoleta, esta antiga fábrica produzia azulejos, peças decorativas e esmaltes para o arquiteto modernista. Documentos preservados pelo conjunto museológico de Esplugues mostram que Gaudí selecionava designs do catálogo da fábrica e colaborava com seu laboratório para obter tonalidades específicas, adquirindo materiais para diversas de suas obras. Em entrevista ao Metrópoli, a curadora Carme Comas admitiu que, hoje, Gaudí é grandioso, enquanto La Rajoleta é pouco conhecida, e esse desequilíbrio de reputação reflete a subvalorização da fábrica.
A história empresarial de La Rajoleta começou em 1858, quando Marius Jourdan e Joan Terrada fundaram uma sociedade para construir uma fábrica de azulejos no terreno de Pau Pujol Franquesa. Em 1876, Jaume Pujol i Bausis assumiu o negócio, e a fábrica entrou em um período de crescimento estável, atingindo seu auge na era de ouro do modernismo. Seus clientes incluíam figuras importantes da arquitetura catalã, como Antoni Gaudí, Josep Puig i Cadafalch, Lluís Domènech i Montaner, entre outros. Carme Comas explicou ao Metrópoli que a localização foi favorecida pelos recursos de argila local, pela proximidade de Barcelona e pela presença de um poço na fábrica, facilitando a obtenção de matérias-primas, a distribuição de peças e a instalação de máquinas a vapor.
A relação de Gaudí com La Rajoleta remonta ao início de sua carreira. A primeira referência documental direta preservada data de 1879, apenas um ano após ele obter o título de arquiteto. Gaudí não apenas selecionava azulejos ali, mas também utilizava o laboratório para preparar os esmaltes necessários. Nos livros de receitas da fábrica, há referências ao azul Gaudí, ao verde Gaudí e ao amarelo Gaudí, receitas destinadas a obter as tonalidades que o arquiteto buscava para seus projetos. O conjunto museológico de Esplugues descobriu um pequeno fragmento de teste com referência ao verde Gaudí em uma residência, reproduzindo todo o processo de experimentação de pigmentos, variações de temperatura, testes de queima e ajustes de cor.
O livro de clientes do arquivo da fábrica registra um dado crucial: 12 mil azulejos da Pujol i Bausis foram usados nos bancos de mosaico e outros espaços do Parque Güell. Gaudí comprava azulejos de segunda e terceira qualidade, mais baratos, para quebrá-los e transformá-los em fragmentos, custando cerca de 30 pesetas por metro quadrado. O banco de corrimão que circunda a praça natural do Parque Güell foi projetado por Gaudí e decorado com mosaicos por Josep Maria Jujol, cujo padrão evoluiu conforme a obtenção e combinação dos materiais.

Peças cerâmicas da fábrica aparecem no Palácio Güell, na Colônia Güell e no Parque Güell. Gaudí podia encomendar designs originais ou escolher modelos prontos do catálogo da fábrica. Documentos do Palácio Güell identificam modelos produzidos por "Filhos de Jaume Pujol i Bausis", usados no interior da casa e na reciclagem de azulejos do telhado, onde a cerâmica se combinava com vidro, porcelana, mármore e outros materiais, cobrindo chaminés para formar esculturas coloridas. Estudos recentes também confirmam a presença de cerâmica de Esplugues na Casa Vicens.


Após mais de um século de operação, a fábrica fechou definitivamente em 1984. A prefeitura de Esplugues recuperou parte do local e iniciou intervenções arqueológicas e museológicas, com a primeira visita pública ocorrendo em 26 de abril de 2002. Atualmente, preservam-se vestígios de tanques de decantação, área de moagem, chaminé da máquina a vapor e um importante conjunto de fornos, incluindo seis fornos árabes, dois fornos tipo garrafa e um forno dedicado à cerâmica de brilho metálico. O local reúne cinco tipos diferentes de fornos cerâmicos, sendo os fornos tipo garrafa únicos na Espanha e um dos poucos exemplares preservados na Europa. La Rajoleta está aberta à visitação por meio de visitas guiadas, mostrando todo o processo de fabricação, desde a preparação da argila até a esmaltação e queima.
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